Checklist de SEO técnico: 40 pontos para auditar seu site em 2026

Ricardo Nakamura

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Tempo de leitura 8 min de leitura

Resumo rápido

  • Este checklist reúne 40 pontos de SEO técnico em 10 blocos, cada um com onde verificar, ferramenta e prioridade (alta, média ou baixa).
  • O Google lista só três requisitos técnicos mínimos para indexar uma página: Googlebot não bloqueado, status HTTP 200 e conteúdo indexável. Comece por eles.
  • Os limites oficiais de Core Web Vitals são LCP até 2,5 s, INP até 200 ms e CLS até 0,1, medidos no percentil 75 dos acessos reais.
  • Para os recursos de IA da Busca (AI Overviews e Modo IA) não há requisito técnico extra: a página precisa estar indexada e elegível para snippet.
  • GPTBot, OAI-SearchBot e Google-Extended têm funções diferentes: bloquear um não bloqueia os outros.

Como usar este checklist

Um checklist de SEO técnico é uma lista de verificações que confirma se os buscadores conseguem rastrear, renderizar, indexar e exibir as páginas de um site sem barreiras técnicas. Ele evita que um bom conteúdo fique invisível por causa de um bloqueio, de uma tag noindex esquecida ou de um servidor lento.

Antes de começar, tenha três coisas em mãos:

  • Acesso ao Google Search Console da propriedade de domínio, que é a fonte mais confiável para indexação, rastreamento e Core Web Vitals.
  • Um rastreador de sites (Screaming Frog, Sitebulb ou similar) para enxergar o site como um robô: status, títulos, canonicals, profundidade e links.
  • PageSpeed Insights para dados de campo (CrUX) e de laboratório (Lighthouse) por URL.

Prioridades: alta ameaça a indexação de páginas importantes; média atrapalha desempenho, rastreamento ou consolidação de sinais; baixa é melhoria incremental.

Ponto de partida oficial: segundo o Google Search Central, uma página só é elegível para indexação se o Googlebot não estiver bloqueado, se ela responder com HTTP 200 e se tiver conteúdo indexável. Mesmo cumprindo os três, a indexação não é garantida. Se esses itens falham, o resto do checklist pode esperar.

Bloco 1: rastreamento

Rastreamento é a etapa em que o Googlebot descobre e baixa as URLs. Se o robô não chega à página, nada mais importa.

# Item Onde verificar / ferramenta Prioridade
1 O robots.txt não bloqueia páginas importantes nem CSS e JS necessários para renderizar Relatório de robots.txt e Inspeção de URL (Search Console) Alta
2 Páginas importantes respondem com status 200 Rastreador (aba de códigos de resposta) e Inspeção de URL Alta
3 Sem picos de erros 5xx ou de tempo de resposta do servidor Estatísticas de rastreamento (Search Console) Alta
4 Sitemap XML enviado, só com URLs canônicas e status 200, dentro do limite de 50 MB ou 50.000 URLs por arquivo Relatório de sitemaps (Search Console) Alta
5 Conteúdo principal não depende de clique, rolagem ou digitação para carregar Inspeção de URL (HTML renderizado) Alta
6 Filtros e parâmetros não geram combinações infinitas de URLs Estatísticas de rastreamento e logs do servidor Média

Dois erros de interpretação são comuns. Primeiro: o robots.txt controla rastreamento, não indexação. A documentação do Google avisa que uma URL bloqueada ainda pode aparecer nos resultados, sem descrição, se outras páginas apontarem para ela. Segundo: o sitemap XML é um sinal fraco de canonicalização; ele ajuda na descoberta, mas não garante indexação.

No item 5, a documentação de mobile-first do Google pede para não carregar o conteúdo principal só após interação do usuário, porque o Google não executa essas interações. O guia de JavaScript SEO explica como comparar o HTML bruto com o renderizado.

Bloco 2: indexação

A pergunta aqui: as páginas certas estão no índice, e só elas?

# Item Onde verificar / ferramenta Prioridade
7 Páginas estratégicas aparecem como indexadas Relatório de indexação de páginas Alta
8 Nenhuma página importante tem noindex por engano (tema, plugin ou ambiente de teste) Rastreador (diretivas) e Inspeção de URL Alta
9 Páginas com noindex não estão bloqueadas no robots.txt (o robô precisa ler a tag) Cruzamento entre robots.txt e rastreador Alta
10 Ambiente de homologação protegido por senha ou noindex Busca pelo subdomínio de teste e Inspeção de URL Alta
11 Arquivos não HTML (PDFs, por exemplo) com diretiva via cabeçalho HTTP quando necessário curl -I ou rastreador Média
12 Soft 404 e páginas vazias tratadas (conteúdo real, 404 ou 410) Relatório de indexação de páginas Média

O item 9 é o erro clássico: para tirar uma página do Google, o próprio Search Central orienta usar noindex e deixar o Google rastrear a URL. Se o robots.txt bloqueia a página, a tag nunca é lida. Quando o relatório mostrar status como “Rastreada, mas não indexada” ou “Duplicada sem canônica selecionada pelo usuário”, use o guia de erros de indexação no Search Console para entender cada status e validar a correção.

curl -I https://www.seusite.com.br/arquivo.pdf
# procure na resposta: HTTP/2 200 e, se quiser fora do índice, X-Robots-Tag: noindex

Bloco 3: arquitetura e links internos

Os links internos são o caminho que robôs e pessoas usam para encontrar as páginas. A página “AI features and your website” do Google cita, entre as boas práticas, deixar o conteúdo fácil de encontrar por links internos.

# Item Onde verificar / ferramenta Prioridade
13 Páginas importantes a poucos cliques da home Rastreador (relatório de profundidade) Média
14 Nenhuma página estratégica órfã (sem links internos apontando) Rastreador cruzado com sitemap e Search Console Média
15 Links internos em HTML comum (<a href>), não só em eventos de JavaScript Rastreador com e sem renderização Alta
16 Sem links internos para páginas 404 ou para URLs que redirecionam Rastreador (links de saída por status) Média
17 URLs legíveis, em minúsculas e com padrão único de barra final Rastreador e amostra manual Baixa

Não existe número oficial de cliques máximo; “poucos cliques” é uma regra prática. Ao revisar os links, melhore também as âncoras: o guia de linkagem interna mostra como distribuir links entre páginas de um mesmo tema.

Bloco 4: performance e Core Web Vitals

Os Core Web Vitals medem carregamento, interatividade e estabilidade visual. Os limites abaixo são os publicados no web.dev, considerando o percentil 75 dos acessos, separado por celular e desktop.

Métrica Bom Precisa melhorar Ruim
LCP (carregamento) Até 2,5 s Entre 2,5 s e 4 s Acima de 4 s
INP (interatividade) Até 200 ms Acima de 200 ms até 500 ms Acima de 500 ms
CLS (estabilidade visual) Até 0,1 Acima de 0,1 até 0,25 Acima de 0,25
# Item Onde verificar / ferramenta Prioridade
18 LCP bom nos modelos principais (home, categoria, produto, post) Relatório Core Web Vitals (Search Console) e PageSpeed Insights Alta
19 INP bom, sem tarefas longas de JavaScript travando cliques PageSpeed Insights (dados de campo) Alta
20 CLS bom: imagens, anúncios e embeds com espaço reservado PageSpeed Insights e Lighthouse Média
21 Imagens em formato moderno, nas dimensões de exibição e comprimidas Lighthouse e rastreador (aba de imagens) Média
22 Scripts de terceiros (chat, pixels, widgets) revisados e adiados quando possível Lighthouse (impacto de terceiros) Média
23 Tempo de resposta do servidor estável, com cache de página e CDN quando fizer sentido Estatísticas de rastreamento e PageSpeed Insights Média

Priorize os dados de campo, que são os usados pelo relatório do Search Console. O Lighthouse ajuda a achar a causa, mas roda em condições simuladas.

Bloco 5: mobile

O Google usa a versão mobile do conteúdo, rastreada pelo agente de smartphone, para indexar e ranquear. Isso é o mobile-first indexing, e o design responsivo é o padrão recomendado pelo próprio Google.

# Item Onde verificar / ferramenta Prioridade
24 Conteúdo principal, títulos e headings equivalentes no mobile e no desktop Inspeção de URL e rastreador com user-agent de smartphone Alta
25 Mesmas meta robots no mobile e no desktop (sem noindex só no mobile) Rastreador com user-agent de smartphone Alta
26 Dados estruturados presentes nas duas versões Teste de pesquisa aprimorada com smartphone Média
27 Sem intersticiais intrusivos cobrindo o conteúdo Navegação manual no celular Média

Bloco 6: HTTPS e segurança

HTTPS faz parte da experiência na página descrita pelo Google, e o Search Console tem um relatório específico para isso.

# Item Onde verificar / ferramenta Prioridade
28 Todas as páginas em HTTPS, com redirecionamento 301 de HTTP Relatório de HTTPS (Search Console) e rastreador Alta
29 Uma única versão de host (com ou sem www) e as demais redirecionando curl -I nas quatro variações Alta
30 Certificado válido e sem conteúdo misto (recursos em HTTP) Navegador (indicador de conexão segura) e rastreador Alta
31 Nenhum alerta em Problemas de segurança ou Ações manuais Search Console Alta

Nas migrações de HTTP para HTTPS ou de domínio, cada URL antiga deve ir direto para a nova com redirecionamento 301, sem cadeias. O Google trata redirecionamentos como sinal forte de qual URL deve ser a canônica.

Bloco 7: dados estruturados

O Google aceita JSON-LD, Microdata e RDFa e recomenda JSON-LD na maioria dos casos, por ser o mais simples de implementar e manter. Revise o básico dos dados estruturados antes de auditar.

# Item Onde verificar / ferramenta Prioridade
32 Marcação sem erros críticos nos tipos usados Teste de pesquisa aprimorada e relatórios de aprimoramentos Média
33 Os dados marcados correspondem ao texto visível da página Comparação manual por modelo de página Alta
<script type=”application/ld+json”>
{ “@context”: “https://schema.org”, “@type”: “Organization”, “name”: “Sua Empresa”, “url”: “https://www.seusite.com.br/” }
</script>

Bloco 8: SEO internacional

Só se aplica a sites com versões em mais de um idioma ou para mais de um país. Se for o seu caso, o hreflang é o item central.

# Item Onde verificar / ferramenta Prioridade
34 Anotações hreflang bidirecionais (cada versão aponta para as outras e é apontada de volta) Rastreador (relatório de hreflang) Média
35 Valor x-default para seletores de idioma e páginas sem correspondência Código-fonte e rastreador Baixa

A documentação do Google explica que anotações sem retorno podem ser ignoradas, para impedir que outro site se declare versão alternativa das suas páginas.

<link rel=”alternate” hreflang=”x-default” href=”https://www.seusite.com/” />

Bloco 9: conteúdo duplicado

Duplicação técnica espalha sinais entre várias URLs e desperdiça rastreamento. O Google lista três formas de indicar a URL preferida, da mais forte para a mais fraca: redirecionamentos, a tag canonical e a inclusão no sitemap.

# Item Onde verificar / ferramenta Prioridade
36 Canonical presente nas páginas indexáveis, apontando para URL com status 200 Rastreador (aba de canonicals) Alta
37 URLs com parâmetros de campanha (utm, gclid) consolidadas na versão limpa Inspeção de URL (canônica escolhida pelo Google) Média

Na Inspeção de URL, compare a canônica declarada com a escolhida pelo Google. Se divergem, links internos, sitemap e canonical provavelmente apontam para lugares diferentes.

Bloco 10: prontidão para busca com IA

O Google afirma que não há requisitos técnicos adicionais para aparecer nos AI Overviews e no Modo IA: a página precisa estar indexada e elegível para aparecer com snippet. O mesmo documento diz que não é preciso criar arquivos de texto para IA nem marcação schema.org especial. Ou seja, os blocos anteriores já fazem a maior parte do trabalho. Para o lado de conteúdo, veja o guia de GEO (Generative Engine Optimization).

# Item Onde verificar / ferramenta Prioridade
38 Googlebot liberado no robots.txt e também no CDN, firewall e hospedagem Estatísticas de rastreamento e regras do CDN Alta
39 Conteúdo importante disponível em texto, não só em imagem ou vídeo Inspeção de URL (HTML renderizado) Alta
40 Decisão documentada sobre robôs de IA (Google-Extended, GPTBot, OAI-SearchBot) e sobre controles de snippet robots.txt, regras de firewall e meta robots Média

O item 40 pede atenção porque cada robô tem uma função:

  • Googlebot: é o controle para a Busca, incluindo AI Overviews e Modo IA. Bloqueá-lo tira o site da Busca como um todo.
  • Google-Extended: token de robots.txt que controla o uso do conteúdo para treinar modelos Gemini e para grounding no app Gemini e na Vertex AI. Segundo o Google, não afeta a inclusão na Busca nem é sinal de ranqueamento.
  • OAI-SearchBot: usado pela OpenAI para mostrar sites nos recursos de busca do ChatGPT. Sites que o bloqueiam não aparecem nas respostas de busca, embora ainda possam surgir como links de navegação.
  • GPTBot: rastreia conteúdo que pode ser usado no treinamento dos modelos da OpenAI. Bloqueá-lo sinaliza que o conteúdo não deve ser usado para treino, sem afetar o OAI-SearchBot.
# Exemplo: aparecer na busca do ChatGPT, sem liberar treino
User-agent: OAI-SearchBot
Allow: /

User-agent: GPTBot
Disallow: /

User-agent: Google-Extended
Disallow: /

Atenção: para limitar o que aparece dos seus textos na Busca, inclusive nos recursos de IA, o Google indica nosnippet, data-nosnippet, max-snippet ou noindex. Snippets restritos também reduzem a vitrine nos resultados clássicos.

Como priorizar e registrar a auditoria

Quarenta itens ficam mais leves quando a auditoria segue uma ordem:

  1. Rode um rastreamento completo
    Use user-agent de smartphone e, se o site depende de JavaScript, renderização ativada.
  2. Cruze com o Search Console
    Compare as URLs rastreadas com o relatório de indexação de páginas, o sitemap e as estatísticas de rastreamento. As diferenças revelam páginas órfãs, bloqueios e duplicações.
  3. Resolva primeiro os itens de prioridade alta
    Bloqueios, noindex indevido, erros 5xx, HTTPS e host duplicado vêm antes de qualquer ajuste fino.
  4. Agrupe por modelo de página
    Um problema no template de produto afeta milhares de URLs. Corrija no modelo e valide em uma amostra.
  5. Documente e valide
    Registre cada item com status, responsável e data. Depois da correção, use a validação do Search Console quando disponível.

Perguntas Frequentes

Com que frequência devo fazer uma auditoria de SEO técnico?

Uma auditoria completa por trimestre atende a maioria dos sites, mais uma checagem rápida dos itens de prioridade alta após migração, troca de tema, atualização grande de plugins ou mudança de hospedagem.

Preciso de ferramenta paga para seguir este checklist?

Não. Search Console e PageSpeed Insights são gratuitos e cobrem indexação, rastreamento e Core Web Vitals. Sites grandes se beneficiam de rastreadores pagos e de análise de logs.

Bloquear o GPTBot tira meu site do ChatGPT?

Não necessariamente. Segundo a documentação da OpenAI, GPTBot e OAI-SearchBot são configurações independentes: o primeiro trata de treinamento de modelos, o segundo de aparecer nos recursos de busca do ChatGPT. É possível bloquear um e liberar o outro.

Bloquear o Google-Extended tira meu site dos AI Overviews?

Não. O Google afirma que o Google-Extended não afeta a inclusão na Busca. O controle para a Busca, incluindo AI Overviews e Modo IA, é o robots.txt para o Googlebot, além das diretivas de snippet e do noindex.

Core Web Vitals ruins impedem a indexação?

Não. Performance não está entre os requisitos técnicos mínimos de indexação do Google. Ela faz parte da experiência na página e afeta usuários e conversões, mas uma página lenta continua indexável.

Fontes e referências

  1. Google Search Central. Google Search technical requirements.
  2. Google Search Central. Introduction to robots.txt.
  3. Google Search Central. Build and submit a sitemap.
  4. Google Search Central. How to specify a canonical URL with rel=”canonical” and other methods.
  5. Google Search Central. Mobile site and mobile-first indexing best practices.
  6. web.dev (Google). Web Vitals.
  7. Google Search Central. AI features and your website.
  8. OpenAI. Overview of OpenAI Crawlers.

Sobre o autor

Ricardo Nakamura

Ricardo Nakamura lidera o SEO Next+ da Oxigenweb, departamento dedicado a SEO e GEO (Generative Engine Optimization). Há mais de 5 anos conduz projetos digitais de ponta a ponta para marcas como JBS, Grupo Petrópolis, Caloi e Lufthansa City Center. Escreve sobre processos escaláveis de SEO, busca orientada por IA e como transformar otimização em resultado de negócio.

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