Hreflang: o que é e como implementar em sites multilíngues

Ricardo Nakamura

Escrito por

Tempo de leitura 7 min de leitura

Resumo rápido

  • Hreflang é uma anotação que informa ao Google quais páginas são versões da mesma página em outros idiomas ou para outros países, para que cada usuário veja a versão certa.
  • Pode ser implementado de três formas equivalentes: tags no HTML, cabeçalho HTTP ou sitemap XML. Escolha uma só.
  • As regras de ouro: cada versão lista a si mesma e todas as outras, os links precisam ser recíprocos e as URLs, absolutas.
  • O código é idioma + região opcional (pt-BR, pt-PT, es). Código só de país não funciona, e o es-419 não é aceito pelo Google.
  • Estudo da Ahrefs com mais de 374 mil domínios encontrou problemas em 67% das implementações de hreflang. Errar é comum.

O que é hreflang

Hreflang é um atributo que indica aos mecanismos de busca as versões alternativas de uma página para diferentes idiomas ou regiões, permitindo que o Google mostre a cada usuário a versão mais adequada ao seu idioma e país. Ele aparece no código como rel="alternate" hreflang="...".

Imagine uma empresa brasileira que vende para Brasil e Portugal e tem uma versão em espanhol para a América Latina. Sem hreflang, um usuário em Lisboa pode cair na página com preços em reais e “você” em todo o texto, enquanto um mexicano encontra a versão em português. Com hreflang, você diz explicitamente ao Google: “esta é a página para pt-BR, esta para pt-PT e esta para falantes de espanhol”.

Dois pontos costumam surpreender:

  • Hreflang não detecta idioma. O Google usa algoritmos e o conteúdo visível para descobrir o idioma de uma página. O hreflang serve para ligar as versões entre si, não para declarar o idioma de cada uma.
  • Hreflang não é um fator de ranqueamento. Ele não faz a página subir. Ele faz a versão certa aparecer no lugar da errada, o que melhora o CTR e a conversão.

Quando usar hreflang

A documentação do Google recomenda indicar as versões alternativas em três cenários principais:

  • Conteúdo traduzido por completo em vários idiomas, como versões em português, inglês e espanhol de cada página.
  • Pequenas variações regionais no mesmo idioma, como uma versão para o Brasil e outra para Portugal, com preços, moeda, ortografia ou contatos diferentes.
  • Só o modelo traduzido, quando o conteúdo principal fica em um idioma e apenas menu e rodapé mudam, algo comum em fóruns.

Se o seu site tem um único idioma e atende um único país, você não precisa de hreflang. O mesmo vale para um blog em português que recebe visitas de Portugal sem ter uma versão específica para lá.

Para não confundir: páginas traduzidas não são consideradas conteúdo duplicado. Para o Google, versões localizadas só são duplicadas quando o conteúdo principal continua sem tradução. Já duas páginas muito parecidas no mesmo idioma (pt-BR e pt-PT quase idênticas, por exemplo) podem ser agrupadas como duplicatas.

Códigos de idioma, região e o x-default

O valor do hreflang tem uma ou duas partes separadas por hífen: primeiro o idioma, no padrão ISO 639-1, e depois, opcionalmente, a região, no padrão ISO 3166-1 Alpha-2.

Valor Significado Válido?
pt Português, qualquer país Sim
pt-BR Português para usuários no Brasil Sim
pt-PT Português para usuários em Portugal Sim
es Espanhol, qualquer país Sim
en-US Inglês para usuários nos Estados Unidos Sim
br Parece “Brasil”, mas é o código do idioma bretão Não faz o que você espera
en-UK UK é código reservado; o correto é en-GB Não (a região é ignorada)
es-419 Espanhol da América Latina Não é aceito pelo Google
x-default Página padrão para quem não se encaixa em nenhuma versão Sim

Para que serve o x-default

O valor reservado x-default indica a página de fallback, aquela que deve aparecer quando o idioma do usuário não corresponde a nenhuma versão listada. Ele foi pensado para páginas seletoras de idioma ou home pages que redirecionam automaticamente, mas pode ser usado em qualquer página. Em um site com versões pt-BR, pt-PT e es, o x-default poderia apontar para uma versão em inglês ou para uma página de escolha de país.

Dica para a América Latina: como o es-419 não é suportado, use es para a versão genérica em espanhol e, se tiver páginas específicas, códigos de país como es-MX, es-AR ou es-CO. Ter uma versão genérica no idioma, além das regionais, é uma recomendação do próprio Google.

Três formas de implementar

Para o Google, os três métodos são equivalentes. Usar mais de um ao mesmo tempo não traz benefício e só aumenta a chance de conflito.

Método Onde fica Melhor para Cuidado
Tags no HTML <link> dentro do <head> de cada página Sites pequenos e médios, CMS com plugin de tradução Aumenta o tamanho do <head> quando há muitos idiomas
Cabeçalho HTTP Cabeçalho Link: na resposta do servidor Arquivos que não são HTML, como PDFs Exige acesso à configuração do servidor
Sitemap XML Elementos <xhtml:link> dentro de cada <url> Sites grandes, com muitas versões e páginas O sitemap precisa ser mantido em sincronia com o site

Se optar pelo sitemap, cada URL entra em um <url> próprio, com a lista completa de versões (incluindo ela mesma). As entradas filhas não contam no limite de URLs do arquivo. Veja os fundamentos do arquivo em sitemap XML.

Exemplo completo para um site brasileiro

Uma empresa tem a mesma página de serviço em quatro versões. O bloco abaixo vai, idêntico, no <head> de todas elas:

<link rel=”alternate” hreflang=”pt-BR” href=”https://www.exemplo.com/br/servico/” />
<link rel=”alternate” hreflang=”pt-PT” href=”https://www.exemplo.com/pt/servico/” />
<link rel=”alternate” hreflang=”es” href=”https://www.exemplo.com/es/servicio/” />
<link rel=”alternate” hreflang=”en” href=”https://www.exemplo.com/en/service/” />
<link rel=”alternate” hreflang=”x-default” href=”https://www.exemplo.com/en/service/” />

Repare nas regras aplicadas:

  1. Autorreferência
    Cada página lista a si mesma. A versão pt-BR contém a linha hreflang="pt-BR" apontando para ela própria.
  2. Reciprocidade
    Se a página A aponta para B, a página B precisa apontar de volta para A. Sem o link de retorno, o Google pode ignorar as anotações. Isso existe para impedir que um site de terceiros se declare versão alternativa do seu.
  3. URLs absolutas
    Use o endereço completo com protocolo (https://). Caminhos relativos como /br/servico/ não são aceitos.
  4. Uma anotação por tag
    Não combine o hreflang com outros atributos, como media, na mesma tag <link>.
  5. Tags dentro do head
    As tags precisam estar em um <head> bem formado. Na dúvida, cole o código renderizado em um validador de HTML, como sugere o próprio Google, para confirmar que elas não ficaram fora do head.

As URLs alternativas não precisam estar no mesmo domínio. O hreflang funciona entre exemplo.com.br e exemplo.pt, por exemplo. Para escolher a estrutura (domínios por país, subdomínios ou subpastas), considere custo, manutenção e força dos backlinks: subpastas concentram a autoridade em um domínio só, enquanto domínios com código de país (ccTLD) dão um sinal geográfico mais forte.

Hreflang e canonical: como convivem

As duas anotações resolvem problemas diferentes. A tag canonical diz qual URL é a principal entre duplicatas; o hreflang liga versões equivalentes em idiomas ou regiões diferentes. Elas funcionam juntas quando cada versão de idioma tem canonical apontando para ela mesma.

O problema aparece quando o canonical de uma versão aponta para outra. Se a página pt-PT tem canonical para a pt-BR, você está dizendo ao Google que a pt-PT é uma duplicata e não deve ser indexada, ao mesmo tempo em que o hreflang pede para exibi-la em Portugal. Os sinais se contradizem. Regra prática: o hreflang deve apontar apenas para URLs canônicas e indexáveis, sem noindex e sem redirecionamento.

Atenção a versões quase idênticas: se as páginas pt-BR e pt-PT têm praticamente o mesmo texto, o Google pode escolher uma delas como canônica e deixar a outra fora do índice, mesmo com hreflang correto. Diferencie de verdade: moeda, preços, frete, contatos, ortografia e exemplos locais.

Erros mais comuns

Hreflang é uma das implementações técnicas com maior taxa de erro. No levantamento da Ahrefs com 374.756 domínios, 67% das implementações tinham algum problema. Os mais frequentes:

  • Falta de link de retorno: a versão em espanhol aponta para a brasileira, mas a brasileira não aponta de volta.
  • Código de país no lugar do idioma: usar br achando que é Brasil, ou uk achando que é Reino Unido.
  • Apontar para URLs que redirecionam, retornam erro 404 ou têm noindex.
  • Conflito com canonical, como visto na seção anterior.
  • Redirecionar automaticamente por IP ou idioma do navegador: o Google desaconselha, porque o Googlebot rastreia majoritariamente a partir dos Estados Unidos e sem cabeçalho de idioma. Ele pode nunca ver as outras versões. Ofereça um seletor de idioma com links.
  • Esquecer de atualizar ao criar ou remover páginas, deixando conjuntos incompletos.

Como verificar se está funcionando

O Search Console tinha um relatório de Segmentação Internacional que mostrava erros de hreflang, mas o Google o descontinuou em 2022, junto com a configuração de país de destino. O suporte ao hreflang continua; o que mudou foi a forma de verificar:

  1. Inspeção de URL do Search Console
    Veja o HTML renderizado que o Googlebot recebeu, confirme se as tags estão no head e qual URL o Google escolheu como canônica.
  2. Rastreadores de SEO
    Ferramentas como Screaming Frog, Ahrefs e Semrush apontam links sem retorno, códigos inválidos e URLs não canônicas em todo o site.
  3. Validadores de página
    A documentação do Google cita ferramentas de terceiros, como o gerador de tags de Aleyda Solis e o testador de hreflang da Merkle, para checar páginas individuais.
  4. Relatório de desempenho por país
    No Search Console, filtre por país e confira se as páginas que recebem impressões em Portugal são as versões pt-PT, por exemplo. Se não forem, algo está errado.

Hreflang na era da busca com IA

Os AI Overviews e o Modo IA do Google se apoiam no índice e nos sistemas de ranqueamento da busca tradicional, e o Google afirma que não há requisitos técnicos extras para aparecer nesses recursos. Isso significa que um site internacional bem resolvido para a busca orgânica, com versões indexadas e ligadas por hreflang, também entrega à IA as páginas certas para cada idioma. Saiba mais em SEO para AI Overviews e Modo IA.

Fora do Google, não há documentação pública mostrando como ChatGPT ou Perplexity tratam o hreflang. O que se sabe é que essas ferramentas respondem no idioma do usuário e buscam fontes na web. Ter conteúdo realmente localizado (e não uma tradução automática rasa) aumenta a chance de a sua página ser a fonte escolhida em cada mercado, algo central em uma estratégia de GEO.

Perguntas Frequentes

Hreflang melhora o ranqueamento?

Não diretamente. Ele não é um sinal de ranqueamento, e sim uma forma de o Google trocar a versão exibida pela mais adequada ao idioma e país do usuário. O ganho aparece em cliques, engajamento e conversão.

Qual o código hreflang correto para o Brasil?

Use pt-BR para português voltado ao Brasil, ou apenas pt se a página atende qualquer falante de português. Nunca use só br, que é o código do idioma bretão.

Preciso usar hreflang se meu site só tem versão em português?

Não. O hreflang só faz sentido quando existem duas ou mais versões da mesma página para idiomas ou regiões diferentes.

Posso usar hreflang no HTML e no sitemap ao mesmo tempo?

Pode, mas não há benefício. O Google considera os métodos equivalentes, e manter dois aumenta o risco de informações conflitantes. Escolha o que for mais fácil de manter no seu site.

O que acontece se eu errar o hreflang?

Em geral, nada é penalizado: as anotações com erro são ignoradas, total ou parcialmente. O resultado prático é o Google exibir a versão errada para parte dos usuários, como a página brasileira para quem está em Portugal.

Sobre o autor

Ricardo Nakamura

Ricardo Nakamura lidera o SEO Next+ da Oxigenweb, departamento dedicado a SEO e GEO (Generative Engine Optimization). Há mais de 5 anos conduz projetos digitais de ponta a ponta para marcas como JBS, Grupo Petrópolis, Caloi e Lufthansa City Center. Escreve sobre processos escaláveis de SEO, busca orientada por IA e como transformar otimização em resultado de negócio.

Ver perfil e todos os artigos de Ricardo →

Deixe seu comentário

três × cinco =