Screaming Frog: como rastrear seu site e encontrar erros de SEO

Ricardo Nakamura

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Tempo de leitura 9 min de leitura

Resumo rápido

  • O Screaming Frog SEO Spider é um rastreador instalado no computador que percorre o site como um robô de busca e lista, URL por URL, erros de status, redirecionamentos, títulos, meta descriptions, H1, canonicals, diretivas e imagens.
  • A versão gratuita rastreia até 500 URLs por rastreamento. A licença paga remove o limite (que passa a depender de memória e disco) e libera configuração, salvamento de rastreamentos, renderização JavaScript e integrações com Google Analytics, Search Console e PageSpeed Insights.
  • A aba Issues agrupa os problemas encontrados por tipo e prioridade (alta, média, baixa), mas a própria documentação avisa que nenhuma ferramenta substitui o contexto de quem conhece o site.
  • Com a integração do Search Console, a ferramenta traz cliques, impressões e o status de indexação via URL Inspection API, limitado a 2.000 URLs por propriedade por dia.
  • O valor está na priorização: corrija primeiro o que impede rastreamento e indexação de páginas importantes, depois o que afeta cliques e experiência.

O que é o Screaming Frog

O Screaming Frog SEO Spider é um software de rastreamento (crawler) para desktop que percorre os links de um site, como faz um robô de busca, e reúne em tabelas os dados técnicos de cada URL para auditoria de SEO. Ele roda no seu computador (Windows, macOS e Ubuntu), não na nuvem.

Você informa a URL inicial, o programa segue os links internos e mostra o que encontrou: páginas quebradas, redirecionamentos, títulos duplicados, noindex, canonicals para outro endereço, imagens pesadas. É a forma mais rápida de enxergar o site do jeito que um rastreador enxerga, e por isso aparece em quase todo checklist de SEO técnico.

O que ele não é: o Screaming Frog não mostra o que o Google indexou nem como ranqueia. Ele mostra o que um rastreador consegue acessar no momento do rastreamento. Para saber o que o Google fez com as páginas, cruze os dados com o Search Console (veja a seção de integrações).

Versão grátis x versão paga

Segundo a página oficial de preços, a ferramenta é gratuita até 500 URLs; a licença remove o limite e libera os recursos avançados:

Recurso Grátis Pago
Limite de rastreamento 500 URLs Sem limite fixo (depende de memória e armazenamento)
Links quebrados, erros e redirecionamentos Sim Sim
Títulos, meta descriptions e diretivas (meta robots) Sim Sim
Geração de sitemap XML e visualizações do site Sim Sim
Configuração do rastreamento e salvar/abrir rastreamentos Não Sim
Renderização JavaScript Não Sim
Integrações com Google Analytics, Search Console e PageSpeed Insights Não Sim
Quase duplicados, dados estruturados, ortografia e acessibilidade Não Sim
Agendamento e comparação entre rastreamentos Não Sim

Em outubro de 2026, a tabela em dólar da página de preços mostra US$ 279 por licença, por ano, com desconto a partir de 5 licenças. As licenças valem por um ano e são por usuário (duas pessoas precisam de duas licenças). O preço muda conforme a moeda escolhida, então confira o valor no site antes de comprar.

Para um site institucional ou um blog pequeno, a versão grátis resolve uma auditoria básica e combina bem com outras ferramentas de SEO gratuitas. A licença começa a fazer sentido quando o site passa de 500 URLs ou quando você precisa de JavaScript, integrações e rastreamentos salvos.

Como configurar o primeiro rastreamento

O modo padrão é o Spider: você digita uma URL e o programa segue os links a partir dela. Existe também o modo List, que verifica só uma lista de URLs enviada por você (útil em migrações). Para uma auditoria completa, use o modo Spider e siga estes passos:

  1. Defina o armazenamento
    Em File > Settings > Storage Mode, mantenha o modo Database Storage, que é o padrão atual e salva os dados em disco. A documentação recomenda esse modo para quem usa SSD e indica que um SSD com 4 GB de RAM alocados deve permitir rastrear cerca de 2 milhões de URLs. A memória é ajustada em File > Settings > Memory Allocation (no macOS, no menu do próprio programa).
  2. Escolha o ponto de partida
    Comece pela URL canônica da home, com o protocolo e o subdomínio corretos. Se você começar em www, os outros subdomínios aparecem como links externos; começando pelo domínio raiz, o programa rastreia também os subdomínios por padrão.
  3. Ajuste o user-agent
    Em Configuration > User-Agent, você pode trocar o agente padrão (Screaming Frog SEO Spider) por presets como Googlebot Smartphone. Por padrão, a ferramenta segue as regras do robots.txt escritas para o Googlebot, então áreas bloqueadas para o Google também ficam de fora do rastreamento.
  4. Inclua os sitemaps
    Em Configuration > Spider > Crawl, ative Crawl Linked XML Sitemaps e deixe a descoberta via robots.txt ou cole o endereço do sitemap. Sem isso, a aba Sitemaps fica vazia e você não descobre URLs que estão no sitemap mas não recebem links.
  5. Controle a velocidade
    O padrão é de 5 threads simultâneas. Em hospedagem compartilhada, use Configuration > Speed e limite o Max URI/s (URLs por segundo). A própria documentação pede uso responsável: aumentar demais as threads multiplica as requisições e pode deixar o servidor lento.
  6. Rode e finalize com a Crawl Analysis
    Clique em Start. Ao terminar, rode Crawl Analysis > Start (ou marque a análise automática no fim do rastreamento). Sem essa etapa, filtros como URLs órfãs do sitemap, quase duplicados e o Link Score ficam vazios.

Abas e relatórios principais

A janela principal mostra uma aba por tipo de dado, cada uma com filtros. À direita, o painel Overview resume quantas URLs caem em cada filtro e serve de atalho. Estas são as abas que mais rendem numa auditoria:

Aba Filtros mais úteis O que fazer
Response Codes Blocked by Robots.txt, Redirection (3XX), Client Error (4XX), Server Error (5XX) Corrigir links para 404, trocar links que passam por redirecionamento pelo destino final, investigar 5XX com a hospedagem
Page Titles Missing, Duplicate, Over 60 characters, Over X Pixels Escrever títulos únicos e descritivos para páginas indexáveis
Meta Description Missing, Duplicate, Over 155 characters, Multiple Criar descrições únicas; descrições múltiplas costumam vir de plugins em conflito
H1 Missing, Duplicate, Over 70 characters, Multiple Garantir um título visível que descreva a página
Canonicals Canonicalised, Missing, Non-Indexable Canonical Verificar se a canônica aponta para uma URL indexável e com status 200
Directives Noindex, Nofollow, None Confirmar que só páginas que devem sair do índice têm noindex
Images Over 100kb, Missing Alt Text, Missing Alt Attribute Comprimir imagens grandes e preencher o texto alternativo
Links Pages With High Crawl Depth, Pages Without Internal Outlinks Aproximar páginas importantes da home com links internos
Sitemaps URLs Not In Sitemap, Orphan URLs, Non-Indexable URLs in Sitemap Limpar o sitemap e linkar páginas órfãs que devem ser indexadas

Códigos de resposta e redirecionamentos

Erros 4XX em links internos são correção direta: troque o link ou crie um redirecionamento 301 para a página equivalente. Para descobrir de onde vem cada link quebrado, selecione a URL e abra a aba Inlinks no painel inferior. Redirecionamentos não são erro, mas a documentação recomenda que os links internos apontem direto para a URL final, sem saltos intermediários.

Títulos, meta descriptions e H1

Os limites de caracteres e pixels são aproximações (o Google ajusta o corte com frequência, avisa a própria ferramenta). Trate “Over 60 characters” como alerta; títulos ausentes ou duplicados em páginas importantes merecem correção. Em sites WordPress, esses campos costumam ser editados no plugin de SEO; se você usa o Rank Math, o guia de configuração do Rank Math mostra onde ajustar título e descrição de cada página.

Canonicals e diretivas

A aba Canonicals mostra a canônica declarada na tag e no cabeçalho HTTP. O filtro mais perigoso é Non-Indexable Canonical: páginas apontando como canônica para uma URL que redireciona, dá erro ou tem noindex. Se precisar revisar o conceito, veja o glossário de canonical tag. Na aba Directives, o filtro Noindex é o que mais merece atenção, porque uma tag noindex esquecida após o lançamento tira páginas inteiras do Google. A ferramenta lê tanto a meta robots quanto o X-Robots-Tag no cabeçalho.

Imagens

O filtro Over 100kb é uma regra prática, não um limite oficial. Priorize comprimir as imagens do topo das páginas. Para o passo a passo de performance em WordPress, veja o guia de Core Web Vitals no WordPress.

Profundidade e links internos

A coluna Crawl Depth, na aba Internal, mostra a quantos cliques cada página está da URL inicial (redirecionamentos contam como um nível). A documentação explica que páginas ligadas diretamente a partes populares do site recebem mais PageRank, e que páginas importantes muito profundas podem se beneficiar de mais links. A aba Site Structure agrega profundidade, status e indexabilidade por diretório. Se uma página estratégica está a cinco ou seis cliques da home, reforce a linkagem interna a partir de páginas fortes.

Atenção: páginas que nunca recebem link não aparecem num rastreamento comum, porque o programa só chega onde há links. Para achar órfãs, inclua o sitemap e as integrações com Search Console e GA4, e rode a Crawl Analysis no final.

Integração com Search Console e GA4

Na versão paga, Configuration > API Access conecta o rastreamento a fontes do Google por OAuth. Assim, um erro numa página que traz tráfego ganha prioridade sobre o mesmo erro numa página sem impressões.

  • Google Search Console: por padrão, traz cliques, impressões, CTR e posição dos últimos 30 dias, via Search Analytics API. Opcionalmente, a opção Enable URL Inspection consulta o status de indexação (se a URL está no Google, a canônica escolhida pelo Google, o último rastreamento), limitada a 2.000 URLs por propriedade por dia, que é a cota diária da URL Inspection API documentada pelo Google. Para entender cada status que aparece ali, use o guia de erros de indexação no Search Console.
  • Google Analytics 4: traz métricas de usuários, sessões, eventos principais e dados de e-commerce por página de destino.
  • PageSpeed Insights: adiciona métricas de performance por URL.

A configuração da integração com o Search Console também permite rastrear URLs descobertas nos dados do Search Console, o que ajuda a encontrar páginas órfãs. Se você ainda não domina a ferramenta do Google, comece pelo guia do Google Search Console.

Renderização JavaScript

Por padrão, o Screaming Frog rastreia em modo Text Only: lê só o HTML bruto, sem executar JavaScript. Em sites feitos com frameworks que montam o conteúdo no navegador, isso pode mostrar páginas “vazias” ou sem links. Na versão paga, ative o modo JavaScript em Configuration > Spider > Rendering. Nesse modo, a ferramenta renderiza as páginas num Chrome headless (baseado no projeto Chromium) e extrai conteúdo e links do HTML renderizado, além de descobrir links no HTML bruto, como o Google faz.

O resultado aparece na aba JavaScript, que compara HTML bruto e renderizado: contagem de palavras antes e depois, título, meta description e H1 de cada versão. Se o conteúdo principal só existe depois do JavaScript, você depende da etapa de renderização do Google. A documentação do Google explica que o Googlebot rastreia, coloca as páginas com status 200 na fila de renderização e indexa o HTML renderizado, e que só descobre links em elementos <a> com atributo href. Para aprofundar, veja o glossário de JavaScript SEO.

Link rastreável: <a href=”/categoria/produto/”>Nome do produto</a>
Link que o Google pode não seguir: <span onclick=”abrir(‘/produto’)”>Nome do produto</span>

Dois filtros ajudam a achar esse tipo de problema: Pages Without Internal Outlinks, na aba Links, que costuma indicar links que só existem no HTML renderizado, e Blocked Resource, na aba Response Codes, que lista CSS, JavaScript e imagens bloqueados durante a renderização.

Como exportar e priorizar as correções

A aba Issues reúne os problemas em três tipos: Issue (erro que deveria ser corrigido), Opportunity (melhoria possível) e Warning (não é necessariamente erro, mas deve ser checado). Cada item tem prioridade alta, média ou baixa e uma descrição no próprio programa. A documentação dá um bom exemplo: “Directives: Noindex” é um warning de prioridade alta, porque um noindex indevido tem grande impacto.

Para exportar, use o botão Export de cada aba (filtro aberto) ou o menu Bulk Export, que inclui links para URLs 4XX ou 3XX e Bulk Export > Issues > All, com uma planilha por problema. Exporte sempre a versão com inlinks dos links quebrados: ela diz em qual página está o link a corrigir.

Uma ordem de prioridade que funciona na maioria dos sites:

  1. Bloqueios de rastreamento e indexação
    Páginas importantes com noindex, bloqueadas no robots.txt, com canônica para outra URL ou com erro 5XX. Aqui o prejuízo é total: a página simplesmente não entra no Google.
  2. Links internos quebrados e cadeias de redirecionamento
    Afetam usuário e rastreamento. Corrija a origem do link, não só o destino.
  3. Arquitetura
    Páginas estratégicas profundas demais, órfãs ou fora do sitemap. Revise menus, categorias e links contextuais.
  4. Elementos de snippet
    Títulos e meta descriptions ausentes ou duplicados, começando pelas páginas com mais impressões no Search Console.
  5. Performance e mídia
    Imagens pesadas e recursos bloqueados nas páginas de maior tráfego.
  6. Dados estruturados e refinamentos
    Erros de validação de schema (versão paga) e alertas de baixa prioridade. Para implementar e corrigir marcação, veja o guia de dados estruturados no WordPress.

Depois das correções, rastreie de novo. Na versão paga, a comparação entre rastreamentos mostra o que mudou e o agendamento repete a auditoria sozinho. Lembre que, segundo a própria Screaming Frog, as prioridades seguem boas práticas, mas não são regras fixas: nenhuma ferramenta conhece o contexto do seu site.

Perguntas Frequentes

O Screaming Frog é gratuito?

Sim, para rastrear até 500 URLs por rastreamento. A versão grátis encontra links quebrados, redirecionamentos, problemas de títulos, meta descriptions e diretivas, mas não permite configurar o rastreamento, salvar rastreamentos, renderizar JavaScript nem conectar Search Console e Analytics. Esses recursos exigem a licença anual.

Quanto custa a licença do Screaming Frog?

Em outubro de 2026, a página oficial de preços mostra US$ 279 por licença por ano, com desconto progressivo a partir de 5 licenças. Cada licença é por usuário e vale um ano. O valor varia conforme a moeda escolhida no site.

O Screaming Frog mostra se minhas páginas estão indexadas?

Sozinho, não. Ele mostra se a página é indexável (status 200, sem noindex, com canônica própria). Para saber se o Google indexou, conecte o Search Console e ative a URL Inspection, que consulta até 2.000 URLs por propriedade por dia.

Preciso ativar a renderização JavaScript em todo rastreamento?

Não. Em sites cujo conteúdo e links estão no HTML bruto (como a maioria dos sites WordPress), o modo padrão basta e é mais rápido. Ative o modo JavaScript quando o site depende de JavaScript para montar conteúdo ou links, ou para comparar HTML bruto e renderizado.

Fontes e referências

  1. Google Search Central. Understand JavaScript SEO Basics.
  2. Google Search Central. SEO Link Best Practices for Google.
  3. Google for Developers. Usage Limits: Search Console API.
  4. Screaming Frog. SEO Spider Pricing.
  5. Screaming Frog. SEO Spider User Guide: General.
  6. Screaming Frog. SEO Spider User Guide: Configuration.
  7. Screaming Frog. SEO Spider User Guide: Tabs.
  8. Screaming Frog. JavaScript rendering guide.

Sobre o autor

Ricardo Nakamura

Ricardo Nakamura lidera o SEO Next+ da Oxigenweb, departamento dedicado a SEO e GEO (Generative Engine Optimization). Há mais de 5 anos conduz projetos digitais de ponta a ponta para marcas como JBS, Grupo Petrópolis, Caloi e Lufthansa City Center. Escreve sobre processos escaláveis de SEO, busca orientada por IA e como transformar otimização em resultado de negócio.

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