Robots.txt: o que é, como configurar e controlar robôs de IA

Ricardo Nakamura

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Tempo de leitura 7 min de leitura

Resumo rápido

  • Robots.txt é um arquivo de texto na raiz do site que diz aos robôs de busca quais URLs eles podem ou não rastrear.
  • Ele controla o rastreamento, não a indexação. Uma URL bloqueada no robots.txt ainda pode aparecer no Google, só que sem descrição.
  • O Google entende apenas quatro campos: user-agent, allow, disallow e sitemap. Regras como crawl-delay e noindex são ignoradas.
  • Para tirar uma página dos resultados, use noindex (e não bloqueie a URL no robots.txt, senão o Google nunca verá a tag).
  • O arquivo também virou a principal forma de dizer quais robôs de IA (Google-Extended, GPTBot, OAI-SearchBot) podem acessar o seu conteúdo.

O que é robots.txt

Robots.txt é um arquivo de texto simples, publicado na raiz de um domínio, que informa aos rastreadores dos mecanismos de busca quais URLs do site eles podem acessar. Ele segue o Protocolo de Exclusão de Robôs (Robots Exclusion Protocol), um padrão criado nos anos 1990 e respeitado pelos principais buscadores.

A função principal, segundo a própria documentação do Google, é evitar que o servidor seja sobrecarregado de requisições e orientar os robôs para longe de áreas sem valor para a busca: carrinhos de compra, resultados de busca interna, filtros infinitos, áreas administrativas e ambientes de teste.

Três ideias resumem bem o papel do arquivo:

  • É um pedido, não uma trava. Googlebot, Bingbot e outros robôs respeitáveis obedecem às regras, mas robôs mal-intencionados podem simplesmente ignorá-las. Conteúdo sensível precisa de senha, não de robots.txt.
  • Vale por host. O arquivo de www.exemplo.com.br não vale para blog.exemplo.com.br, nem para a versão http:// se o site estiver em https://. Cada combinação de protocolo, host e porta precisa do seu próprio arquivo.
  • Fica sempre na raiz. O endereço é obrigatoriamente https://seudominio.com.br/robots.txt. Robôs não procuram o arquivo em subpastas.

Onde ele entra no processo: o robots.txt atua na primeira etapa do ciclo de busca, o rastreamento. Indexação e ranqueamento vêm depois. Se você ainda não domina essa sequência, vale ler antes o guia de indexação: como o Google rastreia e indexa páginas.

Como o Google lê o robots.txt

Antes de rastrear qualquer página de um host, o Googlebot busca o robots.txt desse host e aplica as regras do grupo que corresponde ao seu nome. Alguns detalhes técnicos da especificação do Google fazem diferença no dia a dia:

  • Cache de até 24 horas. O Google costuma guardar o arquivo em cache por até um dia. Uma alteração não tem efeito imediato.
  • Limite de 500 KiB. Tudo o que passar desse tamanho é ignorado. Arquivos gigantes, com milhares de linhas, são sinal de que algo precisa ser simplificado.
  • Diferencia maiúsculas e minúsculas nos caminhos. A regra Disallow: /Fotos não bloqueia /fotos. Já os nomes dos campos (Disallow ou disallow) e os user-agents não diferenciam.
  • Regra mais específica vence. Quando um allow e um disallow se aplicam à mesma URL, vale o caminho mais longo. Em empate, o Google escolhe a regra menos restritiva.

O que acontece quando o arquivo dá erro

O código HTTP que o servidor devolve ao pedir o robots.txt muda completamente o comportamento do robô:

Resposta do servidor Como o Google interpreta
200 (OK) Lê e aplica as regras normalmente.
404 ou outro 4xx (exceto 429) Entende que não há robots.txt válido e rastreia tudo, sem restrições.
5xx ou 429 Nas primeiras 12 horas, interrompe o rastreamento do site. Depois, usa a última versão boa em cache por até 30 dias. Se o erro persistir, o comportamento depende de o site estar disponível no geral.

Atenção: um robots.txt que responde com erro 500 pode derrubar o rastreamento do site inteiro. Inclua o arquivo no monitoramento de disponibilidade, do mesmo jeito que você monitora a home.

Sintaxe: diretivas e caracteres especiais

O arquivo é organizado em grupos. Cada grupo começa com uma ou mais linhas user-agent e é seguido pelas regras que valem para aquele robô. Comentários começam com #.

Diretiva O que faz Suportada pelo Google?
user-agent Define a qual robô o grupo se aplica. * vale para todos. Sim
disallow Indica um caminho que não deve ser rastreado. Sim
allow Libera um caminho dentro de uma pasta bloqueada. Sim
sitemap Informa a URL absoluta de um sitemap. Pode aparecer várias vezes. Sim
crawl-delay Pede um intervalo entre requisições. Não (outros buscadores, como o Bing, podem respeitar)
noindex Tentativa de desindexar via robots.txt. Não

Dois caracteres especiais ajudam a escrever regras mais precisas:

  • * corresponde a qualquer sequência de caracteres. Exemplo: Disallow: /*?filtro= bloqueia qualquer URL com esse parâmetro.
  • $ marca o fim da URL. Exemplo: Disallow: /*.pdf$ bloqueia URLs terminadas em .pdf.

Exemplos prontos de robots.txt

Liberar tudo e informar o sitemap

É o ponto de partida ideal para a maioria dos sites institucionais e blogs:

User-agent: *
Allow: /

Sitemap: https://www.exemplo.com.br/sitemap.xml

A linha Sitemap é uma das formas de avisar o Google sobre o seu sitemap XML, junto com o envio pelo Search Console.

Típico de WordPress

User-agent: *
Disallow: /wp-admin/
Allow: /wp-admin/admin-ajax.php

Sitemap: https://www.exemplo.com.br/wp-sitemap.xml

Aqui o allow mais específico libera o arquivo de AJAX, que muitos temas e plugins usam para carregar conteúdo.

Loja virtual com filtros e busca interna

User-agent: *
Disallow: /busca
Disallow: /carrinho
Disallow: /*?ordenar=
Disallow: /*?cor=*&tamanho=

Sitemap: https://www.loja.com.br/sitemap_index.xml

Esse tipo de bloqueio evita que o Googlebot gaste tempo em milhares de combinações de filtros, assunto central do guia de crawl budget (orçamento de rastreamento).

Robots.txt não é noindex

Esse é o erro conceitual mais comum em SEO técnico. O robots.txt impede o acesso à página, mas não impede que a URL entre no índice. Se outros sites linkarem para uma URL bloqueada, o Google pode exibi-la nos resultados apenas com o endereço, sem descrição. No Search Console, isso aparece como “Indexada, mas bloqueada pelo robots.txt”.

O caminho certo para manter uma página fora dos resultados é a tag noindex. E existe uma armadilha: se a página tiver noindex e também estiver bloqueada no robots.txt, o Googlebot nunca vai ler a tag, porque não pode abrir a página. Para desindexar, a URL precisa estar liberada para rastreamento.

Objetivo Ferramenta certa
Economizar rastreamento em URLs sem valor Robots.txt
Tirar uma página dos resultados de busca Noindex (meta tag ou X-Robots-Tag)
Consolidar URLs duplicadas Tag canonical ou redirecionamento
Trocar uma URL antiga por uma nova Redirecionamento 301
Proteger conteúdo confidencial Senha ou bloqueio no servidor

Como criar e configurar o arquivo

  1. Liste o que não deve ser rastreado
    Mapeie áreas sem valor de busca: painel administrativo, carrinho, busca interna, parâmetros de ordenação e filtros, páginas de login. Na dúvida, não bloqueie.
  2. Escreva o arquivo em texto puro
    Use um editor simples, salve como robots.txt (tudo em minúsculas) com codificação UTF-8. Nada de Word ou formatação.
  3. Publique na raiz do domínio
    Suba o arquivo para a pasta pública principal. Em WordPress, o próprio sistema gera um robots.txt virtual, e plugins como Yoast ou Rank Math permitem editá-lo pelo painel.
  4. Inclua a linha do sitemap
    Use sempre a URL absoluta, com https://. Pode listar mais de um sitemap.
  5. Libere CSS, JavaScript e imagens
    O Google renderiza as páginas como um navegador. Bloquear recursos essenciais pode fazer com que ele veja uma versão quebrada do site.
  6. Teste e monitore
    Abra seudominio.com.br/robots.txt no navegador, confira o relatório de robots.txt do Search Console e acompanhe o relatório de indexação nas semanas seguintes.

Erros mais comuns

  • Esquecer o Disallow: / do ambiente de homologação: o site novo vai ao ar copiando o robots.txt do ambiente de testes e some do Google. É um dos erros mais caros em migrações.
  • Bloquear páginas que têm noindex: o Google não consegue ler a tag e a URL pode continuar nos resultados.
  • Bloquear URLs que deveriam ser redirecionadas: se a URL antiga está bloqueada, o robô não enxerga o redirecionamento 301 e os sinais demoram muito mais para passar para a página nova.
  • Bloquear pastas de recursos como /wp-content/ ou /assets/, o que prejudica a renderização.
  • Usar robots.txt para esconder conteúdo sensível: o arquivo é público. Qualquer pessoa pode abrir e ver exatamente quais caminhos você tentou esconder.
  • Confiar em crawl-delay para o Google: o Googlebot ignora a diretiva. Se o servidor está sofrendo, o caminho é melhorar a infraestrutura ou responder temporariamente com 503 ou 429.

Como testar no Search Console

O antigo “Testador de robots.txt” foi descontinuado em 2023 e deu lugar ao relatório de robots.txt, que fica em Configurações no Google Search Console. Ele mostra:

  • Quais arquivos robots.txt o Google encontrou para os 20 principais hosts da propriedade.
  • Quando cada arquivo foi rastreado pela última vez e se a busca deu certo.
  • Erros e avisos de interpretação, além do histórico de versões dos últimos 30 dias.
  • Um botão para solicitar novo rastreamento do arquivo em casos urgentes, como depois de corrigir um bloqueio acidental.

Para checar uma URL específica, use a Inspeção de URL: ela informa se o rastreamento foi permitido ou bloqueado pelo robots.txt.

Robots.txt e os robôs de IA

Com a busca generativa, o robots.txt ganhou um papel novo: definir quais empresas de IA podem usar o seu conteúdo e para quê. Cada empresa publica os nomes (tokens) dos seus robôs, e as funções são diferentes:

Token Empresa Para que serve Efeito de bloquear
Googlebot Google Rastreamento para a Pesquisa, incluindo AI Overviews e Modo IA Sai da Pesquisa Google como um todo
Google-Extended Google Controle de uso em treinamento e grounding dos modelos Gemini Não afeta a inclusão nem o ranqueamento na Pesquisa
OAI-SearchBot OpenAI Exibir sites nas respostas de busca do ChatGPT O site deixa de aparecer nas respostas de busca do ChatGPT
GPTBot OpenAI Coleta para treinar modelos de IA Indica que o conteúdo não deve ser usado em treinamento

Um ponto importante: o Google-Extended não controla os AI Overviews. Eles fazem parte da Pesquisa e usam o Googlebot. Segundo o Google, para limitar o que aparece da sua página nesses recursos, os controles são nosnippet, data-nosnippet, max-snippet ou noindex. Exemplo de bloqueio só para treinamento, mantendo a visibilidade nas buscas:

User-agent: GPTBot
Disallow: /

User-agent: Google-Extended
Disallow: /

Decisão estratégica: bloquear robôs de busca com IA (como o OAI-SearchBot) reduz a chance de a sua marca ser citada nas respostas. Para a maioria das empresas que querem visibilidade, faz mais sentido liberar os robôs de busca e decidir caso a caso sobre os de treinamento. Entenda o cenário completo em GEO (Generative Engine Optimization) e em SEO para a busca com IA do Google.

Perguntas Frequentes

Todo site precisa de robots.txt?

Não é obrigatório. Sem o arquivo (ou com resposta 404), o Google rastreia o site sem restrições. Mesmo assim, vale ter um robots.txt simples para indicar o sitemap e bloquear áreas sem valor de busca.

Bloquear uma página no robots.txt tira ela do Google?

Não. O bloqueio impede o rastreamento, mas a URL ainda pode ser indexada se receber links, aparecendo sem descrição. Para remover uma página dos resultados, use noindex e deixe a URL liberada no robots.txt.

Quanto tempo leva para o Google ver uma alteração no robots.txt?

O Google costuma manter o arquivo em cache por até 24 horas. Em situações urgentes, dá para solicitar um novo rastreamento pelo relatório de robots.txt do Search Console.

Posso usar robots.txt para bloquear robôs de IA?

Sim, para os robôs que respeitam o protocolo, como GPTBot, OAI-SearchBot e o token Google-Extended. Lembre que bloquear robôs de busca com IA pode tirar o seu site das respostas desses assistentes.

Subdomínios usam o mesmo robots.txt?

Não. Cada host tem o seu arquivo. O blog em blog.exemplo.com.br precisa de um robots.txt próprio, separado do domínio principal.

Fontes e referências

  1. Google Search Central. Introdução ao robots.txt.
  2. Google Search Central. Como o Google interpreta a especificação do robots.txt.
  3. Ajuda do Search Console. Relatório de robots.txt.
  4. Google Search Central. Rastreadores comuns do Google (inclui Google-Extended).
  5. Google Search Central. Recursos de IA e o seu site.
  6. OpenAI. Overview of OpenAI Crawlers.
  7. Search Engine Land. Google Search Console adds robots.txt report.

Sobre o autor

Ricardo Nakamura

Ricardo Nakamura lidera o SEO Next+ da Oxigenweb, departamento dedicado a SEO e GEO (Generative Engine Optimization). Há mais de 5 anos conduz projetos digitais de ponta a ponta para marcas como JBS, Grupo Petrópolis, Caloi e Lufthansa City Center. Escreve sobre processos escaláveis de SEO, busca orientada por IA e como transformar otimização em resultado de negócio.

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