AI Overviews em quase 9 de cada 10 buscas: como adaptar seu site
Levantamento da SEONextbr mostra AI Overviews em 86,8% das buscas no Brasil. Veja o que os dados significam e como adaptar seu site para ser citado.
Resumo rápido
Eleição é um teste de estresse para a busca: tema sensível, que muda de hora em hora. Por isso o levantamento da SEONextbr sobre IA nas eleições de 2026 interessa a quem trabalha com SEO e reputação, e não só a quem acompanha política. Ele mostra como o Google e as IAs de conversa mudam de comportamento diante de pessoas públicas e fatos em movimento.
Nota de neutralidade: este texto não mede, sugere nem interpreta intenção de voto. O foco é o comportamento das ferramentas.
A coleta foi feita em 5 de outubro de 2026, segunda-feira seguinte ao primeiro turno, em três blocos. Primeiro, interesse no Google Trends e volume de formulações como “quem é”, “propostas” e “polêmica” para os 12 candidatos à Presidência. Depois, 36 páginas de resultado do Google Brasil (nome, “quem é” e “propostas” de cada candidato), com registro de AI Overview e fontes. Por fim, 10 perguntas idênticas ao ChatGPT, ao Gemini e ao Perplexity, em pares simétricos para os dois finalistas.
A mesma pessoa pública gerou páginas de resultado bem diferentes conforme a formulação:
| Tipo de busca | Com resumo de IA | O que abre a página |
|---|---|---|
| “[candidato]” | 0 de 12 | Painel de conhecimento, notícias e vídeos |
| “quem é [candidato]” | 0 de 12 | Painel de conhecimento |
| “[candidato] propostas” | 9 de 12 | Resumo de IA com o plano de governo |
Nas buscas de identidade, o Google preferiu o painel de conhecimento (que abriu 24 das 36 páginas), notícias e vídeos. Os três candidatos sem resumo nas propostas foram os de menor volume de busca.
O contraste com o comportamento geral da SERP é grande: no primeiro estudo da mesma série, a IA respondia 86,8% das buscas brasileiras. Em tema eleitoral, o Google aplica regras próprias. A leitura do Guia SEO é que a intenção de busca pesa tanto quanto o assunto: “quem é” pede identidade (resposta delegada a fontes estruturadas), “propostas” pede síntese de documento público (resposta gerada).
Nos resultados orgânicos, dominaram as redes sociais: o Instagram apareceu entre os cinco primeiros em 27 das 36 buscas, o Facebook em 16, a Wikipédia e o YouTube em 14 cada, o site do TSE em 11 e a Folha de S.Paulo em 9. O site oficial do próprio candidato raramente chegou ao topo.
Quando a IA entra em cena, o perfil das fontes muda. Os AI Overviews de propostas citaram principalmente imprensa e TSE: G1 (5 resumos), Valor (4), Band (3) e TSE (3), ao lado de Instagram e YouTube (4 cada). Nas IAs de conversa, o Perplexity citou G1 22 vezes, O Globo 18 e Folha 15; o ChatGPT citou a Folha 13 vezes e o TSE 4. Nos estudos anteriores da série, o YouTube liderava as citações dos resumos de IA do Google (65% no Estudo 1 e 74% no Estudo 5); aqui, a imprensa volta a ser a referência.
Isso conversa com E-E-A-T. Em assuntos de alto impacto, os sistemas parecem recorrer a fontes confiáveis e oficiais. Em GEO, ser citado em tema sensível depende mais de quem você é como fonte do que de formato.
À pergunta “Em quem eu devo votar no segundo turno?”, as três ferramentas recusaram, cada uma a seu modo. O Gemini se declarou neutro e listou critérios; o Perplexity sugeriu comparar propostas, histórico e alianças; o ChatGPT ofereceu uma comparação estruturada, mas respondeu sem consultar a web e chegou a perguntar qual país e quais eram os candidatos.
Nas perguntas em pares (quem é, propostas para a economia, pontos fortes e fracos), as respostas sobre os dois finalistas tiveram estrutura e extensão equivalentes nas três IAs, e nenhuma aplicou regras distintas a cada um. O estudo ressalva que extensão não mede equilíbrio de conteúdo.
Na mesma data, o Gemini recusou prever e informou o resultado do primeiro turno. O Perplexity e o ChatGPT disseram que a disputa estava aberta, mas cada um mencionou uma leve vantagem para um finalista diferente. Um se apoiou na apuração encerrada horas antes; o outro, em pesquisas anteriores à votação, quando o segundo turno nem estava definido.
Nenhuma é previsão confiável. O dado não revela viés nem tendência eleitoral: mostra que a resposta depende da informação encontrada e de quão recente ela é.
O ChatGPT também se contradisse: na primeira pergunta, citou o TSE com o resultado apurado; na segunda e na décima, tratou o segundo turno como hipotético. Quando responde da memória em vez de buscar, a informação pode estar velha, e o usuário não sabe qual modo foi usado.
Interesse de busca mede curiosidade, não intenção de voto, e a leitura depende da forma do nome. Comparando só os nomes completos dos finalistas no Trends, um parecia ter quase metade do interesse do outro; incluindo as formas curtas, os patamares ficaram equivalentes. A forma oficial quase não é buscada, e as curtas não são exclusivas (um sobrenome reúne outros membros da família, um prenome é comum). Por isso o levantamento não ranqueia candidatos por busca.
Além disso, a ferramenta de volumes do Google Ads retornou zero para os nomes dos finalistas, porque restringe dados de termos políticos. Para quem faz pesquisa de palavras-chave, a lição vale fora da política: apelidos e grafias alternativas mudam qualquer comparação.
O processo eleitoral superou qualquer candidato: em agosto de 2026, “candidatos a presidente 2026” teve 2,24 milhões de buscas e “eleições 2026”, 1,22 milhão.
A IA monta a resposta com o que encontra no momento, e duas ferramentas podem encontrar coisas diferentes. Se isso acontece com o tema mais coberto do país, acontece com a sua marca:
Leia o estudo completo: metodologia, tabelas completas, respostas das IAs e todos os dados estão no estudo original da SEONextbr.
Depende da busca. No levantamento da SEONextbr de 5 de outubro de 2026, nome e “quem é” não tiveram resumo de IA em nenhum dos 24 casos; propostas tiveram em 9 de 12.
Não. ChatGPT, Gemini e Perplexity recusaram recomendar voto e sugeriram comparar propostas, histórico e alianças.
Porque cada ferramenta usou informações diferentes, de datas diferentes. É uma inconsistência das ferramentas, não uma previsão nem um indicador de preferência.
Não. Volume e Google Trends medem curiosidade, não intenção de voto, e a comparação muda conforme a forma do nome usada.
Fontes e referências
Mauricio Shinmi é CEO e cofundador da Oxigenweb, empresa de tecnologia e marketing fundada em 2009, e criador do SEONextbr, plataforma brasileira de SEO e GEO. Com mais de 20 anos de experiência em SEO, já atendeu marcas como JBS, Caloi, Itaipava, Cultura Inglesa e Lufthansa. Foi reconhecido pela Abradi como um dos 50 maiores especialistas em WordPress do Brasil, atua como investidor e mentor de startups e integra o Conselho Municipal de Inovação e Tecnologia de Presidente Prudente. No Guia SEO, escreve sobre SEO, GEO e como as empresas podem ser encontradas no Google e nas respostas das IAs.
Ver perfil e todos os artigos de Mauricio →Levantamento da SEONextbr mostra AI Overviews em 86,8% das buscas no Brasil. Veja o que os dados significam e como adaptar seu site para ser citado.
Deixe seu comentário