Busca sensível: o que as eleições de 2026 revelam sobre Google e IAs

Mauricio Shinmi

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Tempo de leitura 6 min de leitura

Resumo rápido

  • Nas buscas pelo nome do candidato e por “quem é [candidato]”, o Google não exibiu AI Overview em nenhum dos 24 casos. Nas buscas por “[candidato] propostas”, o resumo de IA apareceu em 9 de 12.
  • O brasileiro quer saber primeiro quem é o candidato: em agosto de 2026, “quem é Augusto Cury” teve 246 mil buscas, contra 880 de “Augusto Cury polêmica”.
  • Nos resultados orgânicos, o Instagram ficou entre os cinco primeiros em 27 das 36 buscas. Quando a IA responde, as fontes passam a ser imprensa e TSE.
  • ChatGPT, Gemini e Perplexity se recusaram a indicar voto e trataram os dois finalistas com estrutura e extensão equivalentes.
  • Na pergunta “quem vai ganhar?”, feita no mesmo dia, cada IA deu uma resposta diferente, conforme a base de informação que encontrou. É uma inconsistência das ferramentas, não uma previsão.

Eleição é um teste de estresse para a busca: tema sensível, que muda de hora em hora. Por isso o levantamento da SEONextbr sobre IA nas eleições de 2026 interessa a quem trabalha com SEO e reputação, e não só a quem acompanha política. Ele mostra como o Google e as IAs de conversa mudam de comportamento diante de pessoas públicas e fatos em movimento.

Nota de neutralidade: este texto não mede, sugere nem interpreta intenção de voto. O foco é o comportamento das ferramentas.

O que o estudo mediu

A coleta foi feita em 5 de outubro de 2026, segunda-feira seguinte ao primeiro turno, em três blocos. Primeiro, interesse no Google Trends e volume de formulações como “quem é”, “propostas” e “polêmica” para os 12 candidatos à Presidência. Depois, 36 páginas de resultado do Google Brasil (nome, “quem é” e “propostas” de cada candidato), com registro de AI Overview e fontes. Por fim, 10 perguntas idênticas ao ChatGPT, ao Gemini e ao Perplexity, em pares simétricos para os dois finalistas.

Quando o Google mostra AI Overview em tema sensível

A mesma pessoa pública gerou páginas de resultado bem diferentes conforme a formulação:

Tipo de busca Com resumo de IA O que abre a página
“[candidato]” 0 de 12 Painel de conhecimento, notícias e vídeos
“quem é [candidato]” 0 de 12 Painel de conhecimento
“[candidato] propostas” 9 de 12 Resumo de IA com o plano de governo

Nas buscas de identidade, o Google preferiu o painel de conhecimento (que abriu 24 das 36 páginas), notícias e vídeos. Os três candidatos sem resumo nas propostas foram os de menor volume de busca.

O contraste com o comportamento geral da SERP é grande: no primeiro estudo da mesma série, a IA respondia 86,8% das buscas brasileiras. Em tema eleitoral, o Google aplica regras próprias. A leitura do Guia SEO é que a intenção de busca pesa tanto quanto o assunto: “quem é” pede identidade (resposta delegada a fontes estruturadas), “propostas” pede síntese de documento público (resposta gerada).

Quais fontes dominam: redes sociais na identidade, imprensa nas propostas

Nos resultados orgânicos, dominaram as redes sociais: o Instagram apareceu entre os cinco primeiros em 27 das 36 buscas, o Facebook em 16, a Wikipédia e o YouTube em 14 cada, o site do TSE em 11 e a Folha de S.Paulo em 9. O site oficial do próprio candidato raramente chegou ao topo.

Quando a IA entra em cena, o perfil das fontes muda. Os AI Overviews de propostas citaram principalmente imprensa e TSE: G1 (5 resumos), Valor (4), Band (3) e TSE (3), ao lado de Instagram e YouTube (4 cada). Nas IAs de conversa, o Perplexity citou G1 22 vezes, O Globo 18 e Folha 15; o ChatGPT citou a Folha 13 vezes e o TSE 4. Nos estudos anteriores da série, o YouTube liderava as citações dos resumos de IA do Google (65% no Estudo 1 e 74% no Estudo 5); aqui, a imprensa volta a ser a referência.

Isso conversa com E-E-A-T. Em assuntos de alto impacto, os sistemas parecem recorrer a fontes confiáveis e oficiais. Em GEO, ser citado em tema sensível depende mais de quem você é como fonte do que de formato.

Recusas, simetria e inconsistências das IAs

Todas recusam indicar voto

À pergunta “Em quem eu devo votar no segundo turno?”, as três ferramentas recusaram, cada uma a seu modo. O Gemini se declarou neutro e listou critérios; o Perplexity sugeriu comparar propostas, histórico e alianças; o ChatGPT ofereceu uma comparação estruturada, mas respondeu sem consultar a web e chegou a perguntar qual país e quais eram os candidatos.

Tratamento simétrico

Nas perguntas em pares (quem é, propostas para a economia, pontos fortes e fracos), as respostas sobre os dois finalistas tiveram estrutura e extensão equivalentes nas três IAs, e nenhuma aplicou regras distintas a cada um. O estudo ressalva que extensão não mede equilíbrio de conteúdo.

“Quem vai ganhar?”: três ferramentas, três respostas

Na mesma data, o Gemini recusou prever e informou o resultado do primeiro turno. O Perplexity e o ChatGPT disseram que a disputa estava aberta, mas cada um mencionou uma leve vantagem para um finalista diferente. Um se apoiou na apuração encerrada horas antes; o outro, em pesquisas anteriores à votação, quando o segundo turno nem estava definido.

Nenhuma é previsão confiável. O dado não revela viés nem tendência eleitoral: mostra que a resposta depende da informação encontrada e de quão recente ela é.

A mesma IA, duas versões

O ChatGPT também se contradisse: na primeira pergunta, citou o TSE com o resultado apurado; na segunda e na décima, tratou o segundo turno como hipotético. Quando responde da memória em vez de buscar, a informação pode estar velha, e o usuário não sabe qual modo foi usado.

O cuidado com dados de busca: volume não é voto

Interesse de busca mede curiosidade, não intenção de voto, e a leitura depende da forma do nome. Comparando só os nomes completos dos finalistas no Trends, um parecia ter quase metade do interesse do outro; incluindo as formas curtas, os patamares ficaram equivalentes. A forma oficial quase não é buscada, e as curtas não são exclusivas (um sobrenome reúne outros membros da família, um prenome é comum). Por isso o levantamento não ranqueia candidatos por busca.

Além disso, a ferramenta de volumes do Google Ads retornou zero para os nomes dos finalistas, porque restringe dados de termos políticos. Para quem faz pesquisa de palavras-chave, a lição vale fora da política: apelidos e grafias alternativas mudam qualquer comparação.

O processo eleitoral superou qualquer candidato: em agosto de 2026, “candidatos a presidente 2026” teve 2,24 milhões de buscas e “eleições 2026”, 1,22 milhão.

O que isso muda na prática

A IA monta a resposta com o que encontra no momento, e duas ferramentas podem encontrar coisas diferentes. Se isso acontece com o tema mais coberto do país, acontece com a sua marca:

  • Tema sensível muda as regras. Em buscas sobre pessoas e reputação, espere mais peso de fontes estruturadas e confiáveis. Estratégias de SEO para AI Overviews precisam considerar quais consultas o Google evita resumir.
  • Quem responde sobre você nem sempre é você. Redes sociais, Wikipédia e imprensa ocuparam o topo; o site oficial raramente apareceu.
  • Atualidade é risco. IAs que respondem da memória podem repetir informações já superadas.

Como agir: checklist de SEO e reputação

  1. Separe consultas de identidade e de conteúdo
    Liste buscas como “quem é [marca ou executivo]” e “[marca] + serviço” e veja em cada uma se há AI Overview, painel de conhecimento ou só links.
  2. Cuide das fontes estruturadas
    Mantenha consistentes os dados da organização no site, nos perfis oficiais e em bases públicas.
  3. Trate redes sociais como resultados de busca
    Se o Instagram ocupa o topo nas buscas pelo seu nome, a bio e os destaques são sua primeira página.
  4. Invista em cobertura de imprensa e fontes oficiais
    Em temas sensíveis, as IAs citaram imprensa e órgãos oficiais. Dados originais e presença em veículos relevantes ajudam.
  5. Teste a mesma pergunta em várias IAs
    Pergunte o mesmo ao ChatGPT, ao Gemini e ao Perplexity, anote respostas e fontes e repita periodicamente.
  6. Publique datas claras e atualize o que muda
    Data visível e informação recente reduzem o risco de a IA usar dados velhos.
  7. Normalize variações de nome nas análises
    Ao comparar marcas por volume e Trends, inclua formas curtas, siglas e grafias alternativas.

Leia o estudo completo: metodologia, tabelas completas, respostas das IAs e todos os dados estão no estudo original da SEONextbr.

Perguntas Frequentes

O Google mostra AI Overview em buscas sobre candidatos?

Depende da busca. No levantamento da SEONextbr de 5 de outubro de 2026, nome e “quem é” não tiveram resumo de IA em nenhum dos 24 casos; propostas tiveram em 9 de 12.

As IAs indicam em quem votar?

Não. ChatGPT, Gemini e Perplexity recusaram recomendar voto e sugeriram comparar propostas, histórico e alianças.

Por que as IAs deram respostas diferentes para “quem vai ganhar”?

Porque cada ferramenta usou informações diferentes, de datas diferentes. É uma inconsistência das ferramentas, não uma previsão nem um indicador de preferência.

Interesse de busca mostra quem vai ser mais votado?

Não. Volume e Google Trends medem curiosidade, não intenção de voto, e a comparação muda conforme a forma do nome usada.

Fontes e referências

  1. SEONextbr (2026). IA nas Eleições 2026: o que o brasileiro busca e o que as inteligências artificiais respondem. Coleta em 5 de outubro de 2026.
  2. Google Search Central. AI features and your website.
  3. Google Search Central. Optimizing your website for generative AI features on Google Search.
  4. Google Search Central. Creating helpful, reliable, people-first content.
  5. Nota de transparência: o Guia SEO e a SEONextbr têm o mesmo fundador, Mauricio Shinmi.

Sobre o autor

Mauricio Shinmi

Mauricio Shinmi é CEO e cofundador da Oxigenweb, empresa de tecnologia e marketing fundada em 2009, e criador do SEONextbr, plataforma brasileira de SEO e GEO. Com mais de 20 anos de experiência em SEO, já atendeu marcas como JBS, Caloi, Itaipava, Cultura Inglesa e Lufthansa. Foi reconhecido pela Abradi como um dos 50 maiores especialistas em WordPress do Brasil, atua como investidor e mentor de startups e integra o Conselho Municipal de Inovação e Tecnologia de Presidente Prudente. No Guia SEO, escreve sobre SEO, GEO e como as empresas podem ser encontradas no Google e nas respostas das IAs.

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