AI Overviews em quase 9 de cada 10 buscas: como adaptar seu site
Levantamento da SEONextbr mostra AI Overviews em 86,8% das buscas no Brasil. Veja o que os dados significam e como adaptar seu site para ser citado.
Resumo rápido
Durante anos, “estar em primeiro no Google” foi sinônimo de estar no topo da tela. O levantamento da SEONextbr sobre zero-click no Google Brasil mostra que essa equivalência acabou: o primeiro resultado orgânico quase nunca é o primeiro elemento que o usuário vê. A seguir, os números principais e como recalcular expectativas de tráfego e CTR a partir deles.
O estudo não pergunta “em que posição o site ranqueia”, e sim “em que lugar da página o primeiro site realmente aparece”. Para isso, a SEONextbr coletou de forma automatizada, em julho de 2026, páginas de resultados do Google Brasil (google.com.br), em português e em desktop, e contou a posição absoluta do primeiro resultado orgânico entre todos os elementos da página: AI Overview, People Also Ask, featured snippet, vídeos, imagens e demais recursos.
A amostra tem 500 palavras-chave, 100 por setor: Saúde, Finanças, E-commerce/Varejo, Educação e Turismo.
Dois cuidados de leitura: anúncios pagos não entraram na contagem, então a posição real do primeiro link azul tende a ser ainda pior do que a medida. E a perda de cliques é uma estimativa feita com uma curva pública de CTR por posição, não uma medição direta de cliques.
O número que resume o estudo é este: apenas 3% das buscas abrem com um resultado orgânico. Nas outras 97%, o usuário encontra antes algum recurso do próprio Google. Esse é o mecanismo concreto por trás da busca zero clique: quanto mais o Google responde na própria página, mais longe fica o primeiro site.
A distribuição da posição do primeiro link azul:
| Posição do 1º orgânico na página | % das buscas | Leitura prática |
|---|---|---|
| 1º elemento (página “limpa”) | 3% | O cenário clássico virou exceção |
| 2º elemento | 34% | Um recurso do Google na frente |
| 3º elemento | 49% | O caso mais comum: dois recursos na frente |
| 4º elemento | 13% | Rolagem obrigatória antes do primeiro site |
| 5º elemento | 1% | Caso extremo |
Na prática, metade das buscas brasileiras entrega o primeiro site como terceiro elemento da página. A média geral é 2,74º elemento; ponderada pelo volume de buscas, sobe para 2,83º, ou seja, as buscas mais procuradas tendem a ser ainda mais “ocupadas” pelo Google.
Isso muda a forma de ler a SERP. A posição orgânica continua importante (é ela que define quem fica com os cliques que sobram), mas deixou de dizer, sozinha, onde o seu resultado está aos olhos de quem pesquisa.
O estudo também identificou quais elementos aparecem antes do primeiro orgânico e com que frequência:
O peso do AI Overview é o ponto central. O resumo de IA não só aparece em quase toda busca, como ocupa o primeiro lugar visual da página quase sempre que está presente. Se você ainda não adaptou seu conteúdo para esse formato, o guia de SEO para AI Overviews e Modo IA é o ponto de partida.
Chama atenção também o número baixo do featured snippet: 6%. O recurso que por anos foi chamado de “posição zero” perdeu espaço no topo para o resumo gerado por IA.
Para transformar posição visual em impacto de tráfego, o estudo aplicou uma curva pública de CTR por posição sobre a posição real do primeiro orgânico, ponderada pelo volume de busca de cada termo. O resultado geral: o primeiro colocado, que teria um CTR estimado de 27,6% se abrisse a página, cai para 12% na posição visual real. É uma perda estimada de 56% dos cliques.
Saúde e Finanças são temas YMYL (que afetam saúde, dinheiro ou segurança das pessoas), em que a qualidade e a confiabilidade das fontes pesam mais, como explica o guia de E-E-A-T. São também os setores em que o Google mais assume o papel de responder, e por isso os que mais perdem cliques no orgânico. A tabela completa por setor e a explicação da ponderação estão no estudo original da SEONextbr.
Na leitura do Guia SEO, os dados não decretam o fim do SEO, mas desmontam três hábitos comuns:
Atenção à “posição” do Search Console: segundo a documentação do Google, no relatório de desempenho alguns recursos da página, como um AI Overview ou um featured snippet, ocupam uma posição própria, e anúncios não contam. Por isso, a posição média do Search Console não equivale ao ranking orgânico “puro” que ferramentas de rank tracking costumam mostrar.
O outro lado da moeda: se os elementos de cima da página levam a atenção, a estratégia passa a ser ocupá-los. Ser citado como fonte no AI Overview, responder às perguntas do People Also Ask e ter presença em vídeo são formas de aparecer acima do link azul. É aqui que o trabalho de GEO (Generative Engine Optimization) se soma ao SEO tradicional.
Leia o estudo completo: metodologia, tabelas por setor e todos os dados estão no estudo original da SEONextbr.
No levantamento da SEONextbr, em apenas 3% das 500 buscas brasileiras analisadas (17 de 500) o link azul era o primeiro elemento da página. Em 49% dos casos, ele era o terceiro elemento.
Esse é o valor estimado pelo estudo, que aplicou uma curva pública de CTR por posição sobre a posição visual real do primeiro orgânico. O CTR estimado cai de 27,6% para 12%. Não é uma medição direta de cliques, e o resultado varia por setor e por consulta.
O AI Overview, que aparece antes do primeiro resultado orgânico em 87% das buscas analisadas. Depois vêm o People Also Ask (58%) e o bloco de vídeos (14%).
Sim. O orgânico continua levando os cliques que sobram, e os resumos de IA usam páginas bem indexadas como fonte. O que muda é a meta: além de posição e tráfego, conta a presença nos recursos acima do link azul.
Fontes e referências
Mauricio Shinmi é CEO e cofundador da Oxigenweb, empresa de tecnologia e marketing fundada em 2009, e criador do SEONextbr, plataforma brasileira de SEO e GEO. Com mais de 20 anos de experiência em SEO, já atendeu marcas como JBS, Caloi, Itaipava, Cultura Inglesa e Lufthansa. Foi reconhecido pela Abradi como um dos 50 maiores especialistas em WordPress do Brasil, atua como investidor e mentor de startups e integra o Conselho Municipal de Inovação e Tecnologia de Presidente Prudente. No Guia SEO, escreve sobre SEO, GEO e como as empresas podem ser encontradas no Google e nas respostas das IAs.
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