llms.txt: o que é, como criar e o que o Google diz
Entenda o llms.txt, arquivo em Markdown para LLMs e agentes de IA: formato, como criar, dados de adoção e por que a Busca do Google ignora o arquivo.
Escrito por Mauricio Shinmi
Resumo rápido
AI Overviews e Modo IA são os recursos de inteligência artificial generativa da Pesquisa Google, que respondem às buscas com textos gerados por IA acompanhados de links para as páginas usadas como fonte. Fazer SEO para a busca com IA significa trabalhar para que o seu site seja uma dessas fontes, citado e clicado dentro das respostas.
Os dois recursos têm papéis diferentes:
Para não confundir: AI Overviews e Modo IA não são o Gemini. O Gemini é o assistente de IA do Google, um produto separado. Este artigo trata dos recursos de IA dentro da Pesquisa Google, que é onde o SEO atua diretamente.
Quem acompanha SEO desde 2023 lembra do SGE, a sigla que dominou as discussões sobre o futuro da busca. Ele era um experimento. O produto final ganhou outro nome e evoluiu rápido:
Em maio, o Google apresenta o Search Generative Experience (SGE) como experimento no Search Labs, disponível só para quem se inscrevesse.
Em 14 de maio, o SGE sai do laboratório com o nome de AI Overviews, para todos os usuários nos EUA. Em 15 de agosto, o recurso chega ao Brasil.
Em março, o Modo IA estreia como experimento. Em maio, é liberado para todos nos EUA. Em 8 de setembro, chega ao português do Brasil.
Em maio, o Google informa que o Modo IA passou de 1 bilhão de usuários mensais e permite continuar uma conversa no Modo IA a partir de um AI Overview. Também em maio, publica um guia oficial de otimização para IA generativa. Em junho, lança relatórios dedicados no Search Console.
| Característica | AI Overviews | Modo IA |
|---|---|---|
| Onde aparece | No topo dos resultados comuns | Em uma aba própria, separada dos resultados |
| Quando aparece | Só quando o Google considera útil | Quando o usuário escolhe usar |
| Formato | Resumo único, com links | Conversa, com perguntas de acompanhamento |
| Melhor para | Entender rapidamente o essencial de um tema | Pesquisas complexas, comparações e planejamento |
| No Search Console | Entram no relatório de desempenho geral (tipo “Web”) e no relatório de IA generativa | |
O ponto mais importante para quem trabalha com SEO é este: no guia de otimização publicado em 2026, o Google afirma que seus recursos de IA generativa estão enraizados nos sistemas centrais de ranqueamento e de qualidade da busca. Duas técnicas explicam como isso acontece:
O fan-out tem uma consequência prática. Uma página pode ser citada por responder bem a um subtema, mesmo sem ranquear no topo para a pesquisa original. Por isso, AI Overviews e Modo IA costumam mostrar um conjunto de links mais variado do que os dez resultados tradicionais. E como os dois podem usar modelos e técnicas diferentes, as fontes citadas em cada um também variam.
Tudo começa, porém, no índice. Uma página que não foi rastreada e indexada não pode ser recuperada. Revise os fundamentos em indexação: como garantir que seu site apareça no Google e entenda os sistemas por trás da busca em algoritmo do Google.
A preocupação que deu título a este artigo, a de perder tráfego, é legítima. Um estudo do Pew Research Center, que analisou a navegação real de 900 adultos nos EUA em março de 2025, mostrou que os usuários clicaram em um resultado tradicional em 8% das visitas a páginas com resumo de IA, contra 15% nas páginas sem resumo. Os cliques em links dentro do próprio resumo ficaram em cerca de 1%.
O Google tem outra leitura: afirma que os cliques vindos de páginas com AI Overviews são de maior qualidade, com usuários mais propensos a passar mais tempo no site, e que os recursos de IA abrem espaço para que mais tipos de sites apareçam. As duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo: menos cliques em algumas buscas, mas cliques mais qualificados de quem decide visitar a fonte.
Atenção: buscas informativas simples, cuja resposta cabe em um parágrafo, são as mais expostas à perda de cliques. Conteúdos com experiência própria, ferramentas, comparativos detalhados e decisões de compra tendem a continuar gerando visitas, porque o usuário precisa ir além do resumo.
O Google é direto: do ponto de vista dele, otimizar para a busca generativa é otimizar para a experiência de busca, ou seja, continua sendo SEO. Chame de GEO ou AEO, os passos que funcionam são estes:
Na prática: antes de publicar, pergunte “o que este conteúdo tem que uma IA não conseguiria escrever sozinha?”. Se a resposta for “nada”, acrescente dados próprios, exemplos de clientes, fotos originais ou a opinião fundamentada de um especialista.
Com a busca com IA surgiu também muita promessa de “hack”. No guia de 2026, o Google desmente as mais comuns:
| Mito | O que o Google diz |
|---|---|
| Criar arquivo llms.txt | A Pesquisa Google não usa llms.txt nem outros arquivos ou marcações “para IA”. Criar não ajuda nem atrapalha no Google, mas pode servir para outros serviços. |
| “Picotar” o conteúdo em blocos (chunking) | Não é necessário. Os sistemas entendem páginas com vários temas e mostram o trecho relevante. Não existe tamanho ideal de página. |
| Reescrever tudo “para a IA” | Não é preciso escrever de um jeito especial. A IA entende sinônimos e intenções, então não há necessidade de cobrir cada variação de cauda longa. |
| Comprar ou forçar menções | Menções artificiais ajudam menos do que parece, porque os recursos de IA dependem dos sistemas de qualidade e antispam da busca. |
| Dados estruturados obrigatórios | Não há schema especial para IA. Dados estruturados continuam úteis para resultados ricos e devem corresponder ao texto visível da página. |
O Google também alerta para ferramentas que prometem sucesso garantido ou dizem usar métricas “internas” do buscador: nenhuma ferramenta de terceiros tem acesso aos sistemas de ranqueamento ou de IA do Google.
Em 3 de junho de 2026, o Google anunciou novos relatórios no Search Console dedicados aos recursos de IA generativa, com visões separadas para a Pesquisa (AI Overviews e Modo IA) e para o Google Discover. Desde 31 de agosto de 2026 eles estão disponíveis para todos os sites. Os relatórios mostram:
Esses dados continuam somados ao relatório de desempenho geral. Cruze as impressões em IA com os cliques e as conversões no Google Analytics para entender se as páginas citadas estão trazendo visitas que geram resultado.
Também em 2026, o Search Console ganhou o controle “Search generative AI”, em Configurações. Ele permite excluir o site dos AI Overviews, do Modo IA e dos recursos de IA do Discover. Segundo a documentação, essa opção não afeta o ranqueamento na busca tradicional e não impede o treinamento de modelos (para isso existe o Google-Extended). Por padrão, todos os sites estão incluídos.
Para controles mais granulares, continuam valendo as diretivas de snippet: nosnippet, data-nosnippet, max-snippet e noindex. Exemplo de trecho que não deve ser usado em snippets nem nas respostas de IA:
Atenção: sair dos recursos de IA é uma decisão de negócio. Você deixa de aparecer em uma superfície que, só no caso do Modo IA, tem mais de 1 bilhão de usuários mensais segundo o Google. Para a maioria das empresas, faz mais sentido trabalhar para ser citada do que se excluir.
Sim, em essência. SGE (Search Generative Experience) era o nome do experimento lançado em 2023 no Search Labs. Em maio de 2024, o recurso foi lançado oficialmente com o nome AI Overviews, chamado em português de Visões gerais criadas por IA.
Sim. O Google liberou o Modo IA em português do Brasil em 8 de setembro de 2025, junto com hindi, indonésio, japonês e coreano. Ele aparece como uma aba própria na Pesquisa Google.
Não. O Google afirma que não há requisitos técnicos adicionais nem marcação especial. Basta a página estar indexada e apta a aparecer com snippet. Dados estruturados seguem úteis para resultados ricos, mas não são obrigatórios para a IA.
Use o relatório de desempenho de IA generativa do Search Console, disponível para todos os sites desde agosto de 2026. Ele mostra impressões, páginas, países e dispositivos nos recursos de IA da Pesquisa e do Discover.
Não. O próprio Google diz que as boas práticas de SEO continuam valendo, porque os recursos de IA se apoiam nos sistemas centrais de ranqueamento. O que muda é a régua de qualidade: conteúdo genérico perde espaço, e conteúdo com experiência e dados próprios ganha.
Fontes e referências
Mauricio Shinmi é CEO e cofundador da Oxigenweb, empresa de tecnologia e marketing fundada em 2009, e criador do SEONextbr, plataforma brasileira de SEO e GEO. Com mais de 20 anos de experiência em SEO, já atendeu marcas como JBS, Caloi, Itaipava, Cultura Inglesa e Lufthansa. Foi reconhecido pela Abradi como um dos 50 maiores especialistas em WordPress do Brasil, atua como investidor e mentor de startups e integra o Conselho Municipal de Inovação e Tecnologia de Presidente Prudente. No Guia SEO, escreve sobre SEO, GEO e como as empresas podem ser encontradas no Google e nas respostas das IAs.
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