PageSpeed Insights e Lighthouse: como ler e usar o relatório

Ricardo Nakamura

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Tempo de leitura 9 min de leitura

Resumo rápido

  • O PageSpeed Insights junta duas coisas no mesmo relatório: dados de campo do CrUX (usuários reais do Chrome nos últimos 28 dias) e dados de laboratório do Lighthouse (um teste simulado feito na hora).
  • A nota de 0 a 100 vem só do laboratório. Quem “passa” ou “reprova” nas Core Web Vitals é o bloco de campo, avaliado no percentil 75.
  • Desde o Lighthouse 13 (outubro de 2025), as antigas “Oportunidades” viraram Insights, os mesmos do painel Performance do Chrome DevTools. A forma de calcular a nota não mudou.
  • O Lighthouse no DevTools serve para testar páginas locais, logadas ou em homologação, com modos Navegação, Período e Snapshot.
  • Use a ferramenta para diagnosticar, não para perseguir 100: a nota varia de um teste para outro e não é critério de ranqueamento.

O que são o PageSpeed Insights e o Lighthouse

O PageSpeed Insights (PSI) é uma ferramenta gratuita do Google que mostra como uma página se comporta para usuários reais e em um teste simulado, enquanto o Lighthouse é o motor de auditoria de código aberto que gera a parte simulada desse relatório. Confundir os dois gera boa parte das discussões sobre “nota baixa”.

Na prática:

  • PageSpeed Insights (pagespeed.web.dev): para uma URL pública, mostra os dados reais do Chrome e um teste do Lighthouse feito nos servidores do Google, em celular e desktop.
  • Lighthouse: roda dentro do Chrome (aba Lighthouse do DevTools), pela linha de comando em Node ou via API. Além de Performance, audita Acessibilidade, Práticas recomendadas e SEO.

Em SEO, o PSI é a porta de entrada para as Core Web Vitals (LCP, INP e CLS) de uma URL específica. O Lighthouse é a bancada de testes para investigar o porquê e validar correções antes de publicar.

Dados de campo (CrUX) x dados de laboratório

É o conceito mais importante do guia. Os dois tipos de dado respondem a perguntas diferentes:

Dados de campo Dados de laboratório
Origem Chrome User Experience Report (CrUX), com visitas reais de usuários do Chrome Lighthouse, em um carregamento simulado
Período Últimos 28 dias O momento do teste
Condições Aparelhos, redes e locais variados dos seus visitantes Um único dispositivo emulado e rede fixa
Métricas LCP, INP, CLS, FCP e TTFB (experimental) FCP, LCP, TBT, CLS e Speed Index (sem INP, que depende de interação real)
Para que serve Saber se a experiência real é boa; é o que o Google usa para avaliar Core Web Vitals Depurar, comparar versões e testar correções antes de publicar

Alguns detalhes do CrUX fazem diferença na leitura:

  • Nem toda página tem dado de campo. A URL precisa ser publicamente descobrível e ter tráfego suficiente (o Google não divulga o mínimo). Uma página com noindex ou que não responde com status 200 fica de fora do dado por página.
  • Sem dado da URL, o PSI mostra a origem. Quando a página não tem amostra própria, o relatório recorre ao agregado do site inteiro. Um problema localizado pode sumir na média.
  • Nem todo usuário entra na conta. Contam visitas no Chrome para desktop e Android de quem tem o compartilhamento de estatísticas ativado. Chrome no iPhone e outros navegadores não contribuem.

Por isso os números quase nunca batem. O laboratório simula um celular intermediário em rede móvel lenta. Se o seu público acessa de aparelhos melhores, o campo tende a ser melhor que o laboratório. Se acessa de aparelhos mais modestos, pode ser o contrário.

Como rodar um teste no PageSpeed Insights

  1. Acesse pagespeed.web.dev
    Cole a URL completa da página (com https) e clique em Analisar. Teste também modelos de post, categoria e produto, não só a home.
  2. Escolha a aba Celular ou Computador
    O relatório abre no celular. Comece por ele, já que o Google usa a versão móvel para indexação e a maior parte do tráfego costuma ser mobile.
  3. Leia primeiro o bloco de campo
    Veja se a avaliação das Core Web Vitals foi aprovada e alterne entre “Este URL” e “Origem” para comparar a página com o site.
  4. Só depois olhe o diagnóstico de laboratório
    Use a nota e os insights para encontrar causas. Rode o teste duas ou três vezes antes de tirar conclusões, porque o resultado varia.
  5. Registre o antes e o depois
    Salve o relatório antes de cada mudança. Para muitas URLs, use a API do PSI.

Como ler o relatório, bloco a bloco

1. Descubra a experiência dos seus usuários reais

É o bloco de campo. No topo aparece a avaliação das Core Web Vitals (aprovada ou reprovada) e, abaixo, cada métrica com uma barra verde, laranja e vermelha mostrando a distribuição das visitas. O valor exibido é o percentil 75: significa que 75% das visitas tiveram resultado igual ou melhor. A regra oficial é simples: a página passa quando LCP, INP e CLS estão em “bom”. Se não houver dado suficiente de INP, a avaliação considera só LCP e CLS. Sem dado de LCP ou CLS, não há avaliação.

2. Diagnosticar problemas de desempenho

É o bloco de laboratório. Mostra a nota de Performance, uma captura de tela do carregamento e as cinco métricas do Lighthouse. Logo abaixo ficam as notas das outras categorias (Acessibilidade, Práticas recomendadas e SEO).

3. Insights e Diagnósticos

São as recomendações. Cada item pode ser expandido e mostra os arquivos, elementos ou requisições envolvidos e, em vários casos, uma estimativa de economia. Use o filtro por métrica: se o problema do campo é LCP, filtre por LCP e deixe o resto para depois.

Nota de performance x Core Web Vitals

A nota de 0 a 100 é uma média ponderada de cinco métricas de laboratório. Na versão atual da documentação, o peso é: Total Blocking Time 30%, LCP 25%, CLS 25%, First Contentful Paint 10% e Speed Index 10%. As faixas são 0 a 49 (vermelho), 50 a 89 (laranja) e 90 a 100 (verde).

  • A nota não é a avaliação das Core Web Vitals. Uma página pode ter nota 55 no celular e passar com folga no campo, ou ter 95 e reprovar porque os usuários reais usam aparelhos lentos ou porque o INP é ruim (o laboratório nem mede INP; o TBT é só um indicador aproximado).
  • Insights não entram no cálculo. Eles ajudam a melhorar as métricas, mas resolver um item da lista não soma pontos por si só.
  • Chegar a 100 custa caro. Segundo a documentação do Lighthouse, ir de 99 para 100 exige mais ou menos a mesma melhora que ir de 90 para 94. Raramente compensa.

No ranqueamento, entram sinais de experiência baseados em dados reais, com peso menor que relevância e qualidade. Entenda o contexto no guia sobre o algoritmo do Google.

Use a nota como termômetro de regressão (caiu muito depois de instalar um plugin? algo mudou). Para saber se a experiência é boa, olhe o campo.

Principais insights e diagnósticos e como agir

Ao longo de 2025, com a conclusão no Lighthouse 13 (outubro), o Lighthouse substituiu as antigas seções “Oportunidades” e parte dos “Diagnósticos” pelos Insights, os mesmos usados no painel Performance do DevTools. Várias auditorias foram fundidas e algumas foram aposentadas (como a de imagens fora da tela). O PSI pode exibir os nomes traduzidos; abaixo estão os mais comuns e o que fazer com cada um:

Insight O que aponta Como agir
Detalhamento do LCP (LCP breakdown) Em qual fase o maior elemento demora: resposta do servidor, descoberta, download ou renderização Ataque a fase dominante. Se for o tempo até o primeiro byte, o gargalo é servidor ou cache, não a imagem.
Descoberta da solicitação do LCP A imagem principal é encontrada tarde ou está com lazy loading Coloque a imagem no HTML inicial, remova loading="lazy" dela e use fetchpriority="high".
Solicitações que bloqueiam a renderização CSS e JavaScript que travam a primeira pintura Adie scripts não essenciais (defer), carregue CSS crítico primeiro e corte arquivos que a página não usa.
Melhorar a entrega de imagens Imagens grandes demais, sem compressão ou em formato antigo Redimensione para o tamanho exibido, use WebP ou AVIF e srcset para telas diferentes.
Latência da solicitação do documento Redirecionamentos, servidor lento ou HTML sem compressão Ative cache de página e compressão, revise a hospedagem e elimine cadeias de redirecionamento.
Usar ciclos de vida de cache eficientes Arquivos estáticos com cache curto Configure cabeçalhos de cache longos para imagens, fontes, CSS e JS versionados.
Causadores de mudança de layout Elementos que empurram o conteúdo (CLS) Defina largura e altura em imagens e iframes e reserve espaço para banners e anúncios.
Terceiros Peso e tempo de scripts externos (chat, pixels, mapas, tag managers) Remova o que ninguém usa e adie o carregamento do restante.

Exemplo: o campo mostra LCP de 3,8 s no celular, e o insight de descoberta avisa que a imagem principal está com lazy loading, aplicado pelo tema a todas as imagens. A correção é uma linha de código, e o efeito no campo aparece ao longo das semanas seguintes.

O insight de latência do documento também revela redirecionamentos 301 desnecessários, como links internos que ainda apontam para a URL antiga.

E a categoria SEO do Lighthouse?

Ela verifica o básico técnico: se a página pode ser indexada, se há título e meta description, se os links têm texto descritivo e são rastreáveis, se as imagens têm alt e se a tag canonical é válida. Nota 100 em SEO significa apenas que não há erro grave desses itens, não que a página está otimizada. A análise completa de SEO on-page vai muito além dessa lista.

Lighthouse no Chrome DevTools

O PSI só testa URLs públicas, a partir de servidores do Google. Para páginas em homologação, áreas logadas ou para testar uma mudança antes de subir, use o Lighthouse dentro do Chrome:

  1. Abra uma janela anônima
    Assim você reduz a interferência de extensões, que injetam código na página.
  2. Abra o DevTools e a aba Lighthouse
    Com a página carregada, pressione F12 (ou clique com o botão direito e escolha Inspecionar) e procure a aba Lighthouse.
  3. Escolha o modo
    Navegação recarrega e audita o carregamento (o mais comum). Período (Timespan) grava enquanto você interage com a página, útil para investigar lentidão em cliques. Snapshot audita o estado atual, por exemplo com um menu aberto.
  4. Defina dispositivo, categorias e configurações
    Selecione Celular ou Computador e só as categorias que precisa. Nas configurações, mantenha “Limpar armazenamento” para simular uma primeira visita e escolha entre limitação simulada (mais rápida) ou limitação do DevTools (números que batem com o painel Performance).
  5. Rode e aprofunde
    Clique em Analisar carregamento da página. Depois, pelo menu do relatório, salve o resultado ou abra o trace no painel Performance para ver exatamente o que a thread principal estava fazendo.

Não compare testes feitos em máquinas diferentes (nem o do seu notebook com o do PSI): hardware, rede e programas abertos alteram o resultado.

Limitações e erros comuns

Atenção: o erro mais caro é otimizar para a nota e não para o usuário. É comum ver sites removerem recursos úteis, como busca interna ou chat, para ganhar 10 pontos no laboratório, sem nenhuma mudança no campo nem no tráfego.

  • Variação entre testes. Anúncios, testes A/B, rede e carga do servidor mudam o resultado. Rode mais de uma vez e use a mediana; o campo, por cobrir 28 dias, é bem mais estável.
  • Esperar resultado imediato no campo. O CrUX olha 28 dias. Uma correção de hoje só aparece por completo semanas depois.
  • Ignorar a ausência de dados. Sites pequenos muitas vezes não têm campo por URL. Nesse caso, o laboratório é seu guia, e vale coletar dados reais com a biblioteca web-vitals.

PageSpeed Insights x outras ferramentas

Ferramenta Melhor uso
PageSpeed Insights Diagnóstico rápido de uma URL pública, com campo e laboratório juntos
Relatório Core Web Vitals do Search Console Visão do site inteiro, com URLs agrupadas por problema e validação de correções
Lighthouse no DevTools ou CLI Páginas locais ou logadas e testes automatizados em processo de deploy
Painel Performance do DevTools Investigação profunda de JavaScript, INP e renderização
CrUX API e BigQuery Histórico e comparação com concorrentes em escala

Um fluxo eficiente: o Search Console mostra quais grupos de páginas estão ruins, o PSI confirma o problema em uma URL representativa e o DevTools ajuda a encontrar a causa e testar a correção. Assim você prioriza o que afeta a indexação e a experiência das páginas que realmente trazem tráfego.

Lighthouse e a busca com IA

A busca com IA não criou uma “nota de performance para IA”. O Google continua orientando que, para aparecer nos AI Overviews e no Modo IA, valem as mesmas boas práticas de SEO, incluindo boa experiência da página e conteúdo acessível em texto. Veja os detalhes no guia de SEO para AI Overviews.

A novidade está em outro lugar. A documentação do Lighthouse já descreve uma categoria Agentic Browsing, marcada como experimental e baseada em padrões ainda propostos. Ela avalia se agentes de IA conseguem usar a página: nomes e rótulos na árvore de acessibilidade, estabilidade visual (CLS), integração com WebMCP e a existência de um arquivo llms.txt na raiz. Não há nota ponderada, só verificações aprovadas ou reprovadas. Trate como sinal de tendência, não como requisito de ranqueamento. Para a estratégia completa de visibilidade em respostas geradas, veja o guia de GEO (Generative Engine Optimization).

Perguntas Frequentes

O PageSpeed Insights é gratuito?

Sim. A ferramenta em pagespeed.web.dev é gratuita e não exige login. O Lighthouse é de código aberto.

Qual nota preciso ter para ranquear bem?

Nenhuma. O Google não usa a nota do Lighthouse como critério. O que conta são as Core Web Vitals medidas com usuários reais, e mesmo elas pesam menos que relevância e qualidade do conteúdo.

Por que aparece “não há dados suficientes” no bloco de campo?

A página não teve visitas suficientes de usuários elegíveis do Chrome nos últimos 28 dias, ou não é publicamente indexável. O PSI tenta mostrar os dados da origem; se nem ela tiver amostra, só o laboratório fica disponível.

Fontes e referências

  1. Google for Developers. About PageSpeed Insights.
  2. Chrome for Developers. Lighthouse performance scoring.
  3. Chrome for Developers. Introduction to Lighthouse.
  4. Chrome for Developers. Lighthouse: optimize website speed (DevTools).
  5. Chrome for Developers (2025). Lighthouse is moving to performance insight audits.
  6. Chrome for Developers (2025). What’s new in Lighthouse 13.
  7. Chrome for Developers. CrUX methodology.
  8. Chrome for Developers. Lighthouse agentic browsing.

Sobre o autor

Ricardo Nakamura

Ricardo Nakamura lidera o SEO Next+ da Oxigenweb, departamento dedicado a SEO e GEO (Generative Engine Optimization). Há mais de 5 anos conduz projetos digitais de ponta a ponta para marcas como JBS, Grupo Petrópolis, Caloi e Lufthansa City Center. Escreve sobre processos escaláveis de SEO, busca orientada por IA e como transformar otimização em resultado de negócio.

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