Zero clique no Google: por que o 1º lugar já não aparece primeiro

Mauricio Shinmi

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Resumo rápido

  • Em 500 buscas brasileiras analisadas em julho de 2026, só 3% das páginas de resultados abrem com um link azul (17 de 500).
  • O primeiro resultado orgânico é, em média, o 2,74º elemento da página (2,83 quando ponderado pelo volume de buscas).
  • O AI Overview aparece antes do primeiro orgânico em 87% das buscas; o People Also Ask, em 58%.
  • Pela estimativa do estudo, o 1º colocado perde 56% dos cliques: o CTR estimado cai de 27,6% para 12%.
  • Saúde é o setor mais afetado (60% de perda estimada); Turismo, o menos afetado (49%).

Durante anos, “estar em primeiro no Google” foi sinônimo de estar no topo da tela. O levantamento da SEONextbr sobre zero-click no Google Brasil mostra que essa equivalência acabou: o primeiro resultado orgânico quase nunca é o primeiro elemento que o usuário vê. A seguir, os números principais e como recalcular expectativas de tráfego e CTR a partir deles.

O que o estudo mediu

O estudo não pergunta “em que posição o site ranqueia”, e sim “em que lugar da página o primeiro site realmente aparece”. Para isso, a SEONextbr coletou de forma automatizada, em julho de 2026, páginas de resultados do Google Brasil (google.com.br), em português e em desktop, e contou a posição absoluta do primeiro resultado orgânico entre todos os elementos da página: AI Overview, People Also Ask, featured snippet, vídeos, imagens e demais recursos.

A amostra tem 500 palavras-chave, 100 por setor: Saúde, Finanças, E-commerce/Varejo, Educação e Turismo.

Dois cuidados de leitura: anúncios pagos não entraram na contagem, então a posição real do primeiro link azul tende a ser ainda pior do que a medida. E a perda de cliques é uma estimativa feita com uma curva pública de CTR por posição, não uma medição direta de cliques.

O 1º lugar já não é o primeiro na tela

O número que resume o estudo é este: apenas 3% das buscas abrem com um resultado orgânico. Nas outras 97%, o usuário encontra antes algum recurso do próprio Google. Esse é o mecanismo concreto por trás da busca zero clique: quanto mais o Google responde na própria página, mais longe fica o primeiro site.

A distribuição da posição do primeiro link azul:

Posição do 1º orgânico na página % das buscas Leitura prática
1º elemento (página “limpa”) 3% O cenário clássico virou exceção
2º elemento 34% Um recurso do Google na frente
3º elemento 49% O caso mais comum: dois recursos na frente
4º elemento 13% Rolagem obrigatória antes do primeiro site
5º elemento 1% Caso extremo

Na prática, metade das buscas brasileiras entrega o primeiro site como terceiro elemento da página. A média geral é 2,74º elemento; ponderada pelo volume de buscas, sobe para 2,83º, ou seja, as buscas mais procuradas tendem a ser ainda mais “ocupadas” pelo Google.

Isso muda a forma de ler a SERP. A posição orgânica continua importante (é ela que define quem fica com os cliques que sobram), mas deixou de dizer, sozinha, onde o seu resultado está aos olhos de quem pesquisa.

Quem corta a frente do link azul

O estudo também identificou quais elementos aparecem antes do primeiro orgânico e com que frequência:

  • AI Overview: 87% das buscas.
  • People Also Ask: 58% das buscas.
  • Bloco de vídeos: 14% das buscas.
  • Featured snippet: 6% das buscas.
  • Principais pontos (viagem): 5% das buscas.

O peso do AI Overview é o ponto central. O resumo de IA não só aparece em quase toda busca, como ocupa o primeiro lugar visual da página quase sempre que está presente. Se você ainda não adaptou seu conteúdo para esse formato, o guia de SEO para AI Overviews e Modo IA é o ponto de partida.

Chama atenção também o número baixo do featured snippet: 6%. O recurso que por anos foi chamado de “posição zero” perdeu espaço no topo para o resumo gerado por IA.

Quanto isso custa em cliques, setor por setor

Para transformar posição visual em impacto de tráfego, o estudo aplicou uma curva pública de CTR por posição sobre a posição real do primeiro orgânico, ponderada pelo volume de busca de cada termo. O resultado geral: o primeiro colocado, que teria um CTR estimado de 27,6% se abrisse a página, cai para 12% na posição visual real. É uma perda estimada de 56% dos cliques.

  • Saúde: 1º link azul na posição média 2,92; perda estimada de 60%.
  • Finanças: posição média 2,95; perda estimada de 57%.
  • E-commerce/Varejo: posição média 2,59; perda estimada de 57%.
  • Educação: posição média 2,70; perda estimada de 52%.
  • Turismo: posição média 2,52; perda estimada de 49%.

Saúde e Finanças são temas YMYL (que afetam saúde, dinheiro ou segurança das pessoas), em que a qualidade e a confiabilidade das fontes pesam mais, como explica o guia de E-E-A-T. São também os setores em que o Google mais assume o papel de responder, e por isso os que mais perdem cliques no orgânico. A tabela completa por setor e a explicação da ponderação estão no estudo original da SEONextbr.

O que isso muda na prática

Na leitura do Guia SEO, os dados não decretam o fim do SEO, mas desmontam três hábitos comuns:

  • Usar benchmarks antigos de CTR para projetar tráfego. Uma projeção que assume cerca de 27% de cliques para quem está em 1º tende a superestimar o resultado em mais do que o dobro, segundo a estimativa do estudo. O guia de CTR (taxa de cliques) explica como ler essa métrica no Search Console.
  • Reportar sucesso só por posição. “Estamos em 1º” pode significar terceiro elemento da página, com metade dos cliques de antes. Posição visual e presença nos recursos de IA precisam entrar no relatório.
  • Tratar queda de CTR como problema de título. Se o CTR caiu e a posição não mudou, a causa pode ser um novo recurso ocupando o topo da página, e não um title tag ruim. Olhe a SERP antes de reescrever.

Atenção à “posição” do Search Console: segundo a documentação do Google, no relatório de desempenho alguns recursos da página, como um AI Overview ou um featured snippet, ocupam uma posição própria, e anúncios não contam. Por isso, a posição média do Search Console não equivale ao ranking orgânico “puro” que ferramentas de rank tracking costumam mostrar.

O outro lado da moeda: se os elementos de cima da página levam a atenção, a estratégia passa a ser ocupá-los. Ser citado como fonte no AI Overview, responder às perguntas do People Also Ask e ter presença em vídeo são formas de aparecer acima do link azul. É aqui que o trabalho de GEO (Generative Engine Optimization) se soma ao SEO tradicional.

Como recalcular expectativas e agir

  1. Mapeie a SERP real das suas palavras-chave principais
    Pesquise suas 20 ou 30 consultas mais importantes e anote o que aparece antes do primeiro site. Isso mostra a posição visual de cada uma.
  2. Ajuste o CTR esperado por tipo de página de resultados
    Em vez de um único benchmark por posição, use expectativas diferentes para páginas “limpas” e páginas com dois ou mais recursos na frente. O estudo sugere que, com resumo de IA no topo, o 1º colocado pode ter menos da metade do CTR clássico.
  3. Compare CTR e posição no Search Console ao longo do tempo
    Queda de CTR com posição estável é o sinal típico de que algo passou a ocupar o topo da página.
  4. Escolha os recursos que dá para disputar
    Para consultas com People Also Ask, crie respostas diretas para as perguntas exibidas. Para consultas com vídeo, avalie produzir vídeo. Para consultas com AI Overview, trabalhe conteúdo claro, com dados e fontes, que possa ser usado como referência.
  5. Inclua visibilidade sem clique no relatório
    Acompanhe se a marca é citada nos resumos de IA e nos assistentes, além de impressões e posição.
  6. Revise metas de tráfego com a diretoria ou o cliente
    Explique que a mesma posição já não entrega o mesmo volume de cliques.

Leia o estudo completo: metodologia, tabelas por setor e todos os dados estão no estudo original da SEONextbr.

Perguntas Frequentes

Em quantas buscas o primeiro resultado orgânico aparece no topo da página?

No levantamento da SEONextbr, em apenas 3% das 500 buscas brasileiras analisadas (17 de 500) o link azul era o primeiro elemento da página. Em 49% dos casos, ele era o terceiro elemento.

O 1º colocado no Google perde mesmo 56% dos cliques?

Esse é o valor estimado pelo estudo, que aplicou uma curva pública de CTR por posição sobre a posição visual real do primeiro orgânico. O CTR estimado cai de 27,6% para 12%. Não é uma medição direta de cliques, e o resultado varia por setor e por consulta.

Qual recurso do Google mais empurra o orgânico para baixo?

O AI Overview, que aparece antes do primeiro resultado orgânico em 87% das buscas analisadas. Depois vêm o People Also Ask (58%) e o bloco de vídeos (14%).

Ainda vale a pena investir em SEO com tanto zero clique?

Sim. O orgânico continua levando os cliques que sobram, e os resumos de IA usam páginas bem indexadas como fonte. O que muda é a meta: além de posição e tráfego, conta a presença nos recursos acima do link azul.

Fontes e referências

  1. SEONextbr (2026). Zero-click no Google: só 3% das buscas abrem com link azul [Estudo].
  2. Google Search Console Help. What are impressions, position, and clicks?.
  3. Nota de transparência: o Guia SEO e a SEONextbr têm o mesmo fundador, Mauricio Shinmi.

Sobre o autor

Mauricio Shinmi

Mauricio Shinmi é CEO e cofundador da Oxigenweb, empresa de tecnologia e marketing fundada em 2009, e criador do SEONextbr, plataforma brasileira de SEO e GEO. Com mais de 20 anos de experiência em SEO, já atendeu marcas como JBS, Caloi, Itaipava, Cultura Inglesa e Lufthansa. Foi reconhecido pela Abradi como um dos 50 maiores especialistas em WordPress do Brasil, atua como investidor e mentor de startups e integra o Conselho Municipal de Inovação e Tecnologia de Presidente Prudente. No Guia SEO, escreve sobre SEO, GEO e como as empresas podem ser encontradas no Google e nas respostas das IAs.

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