AI Overviews já aparecem em 83% das buscas de marca nos EUA

Mauricio Shinmi

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Resumo rápido

  • Segundo estudo da Ahrefs publicado em 2 de outubro de 2026, os AI Overviews apareceram em 82,91% dos resultados de desktop nos EUA para buscas de marca no recorte de 29 de setembro.
  • As médias mensais subiram de 61,3% em julho para 65,1% em agosto e 73,3% em setembro, em uma base de 232,8 milhões de SERPs (92,5 milhões de marca).
  • Em um painel separado de 100 grandes marcas, 63 exibiam AI Overview em 30 de setembro. Wikipedia e YouTube foram as fontes externas mais citadas.
  • Os dados são apenas dos EUA, apenas desktop e medem presença do recurso, não cliques. Mesmo assim, o recado para marcas brasileiras é claro: o Google agora resume quem você é, usando o que outros dizem sobre você.

O que aconteceu

Em 2 de outubro de 2026, a Ahrefs publicou o estudo “AI Overviews Currently Appear for 83% of Branded Searches”, assinado por Ryan Law com colaboração de Xibeijia Guan. A conclusão principal: no recorte de 29 de setembro, 82,91% dos resultados de desktop nos Estados Unidos para palavras-chave de marca exibiam um AI Overview. É o resumo de IA exibido na página de resultados, agora também quando alguém digita o nome de uma empresa.

Até pouco tempo, buscas de marca eram um território relativamente protegido. No estudo de novembro de 2025 da própria Ahrefs (com amostra diferente), os AI Overviews eram muito mais comuns em buscas sem marca. Em setembro de 2026, a média ficou em 78,3% sem marca contra 73,3% com marca.

A mudança já tinha sido notada dias antes. Em 30 de setembro, Barry Schwartz, do Search Engine Roundtable, publicou que os AI Overviews tinham voltado para muitos nomes de grandes marcas, como Amazon, Apple, Samsung, Salesforce e Adobe. Segundo o texto, na maioria dos casos o resumo aparecia no meio da página, não no topo. O Google não comentou oficialmente.

Linha do tempo: a volta dos AI Overviews nas buscas de marca

Nov/2025

Estudo da Ahrefs mostra AI Overviews muito mais frequentes em buscas sem marca do que em buscas de marca.

Jul/2026

Chris Long (Nectiv) relata um primeiro movimento de AI Overviews em buscas de marca. No painel da Ahrefs, só 5 de 98 grandes marcas exibiam o recurso em 1º de julho.

Set/2026

Segundo a DemandSphere, citada pelo Search Engine Journal, a presença em palavras-chave de marca passa de 26,12% em 1º de setembro para 90,48% em 27 de setembro.

30/09/2026

Search Engine Roundtable noticia que os AI Overviews voltaram para muitas grandes marcas. Chris Long diz ter visto o recurso em 93 de cerca de 100 marcas testadas.

02/10/2026

Ahrefs publica o estudo com 232,8 milhões de SERPs e o dado de 82,91% em 29 de setembro.

Os números do estudo da Ahrefs

A Ahrefs usou duas amostras: 232,8 milhões de SERPs de desktop nos EUA entre julho e setembro de 2026 (92,5 milhões de marca e 140,2 milhões sem marca) e um painel de 100 marcas da lista Best Global Brands 2025 da Interbrand, consultadas pelo nome exato em 14 checagens semanais.

Indicador Resultado Amostra
Buscas de marca com AI Overview em 29/09 82,91% Desktop, EUA
Média mensal de buscas de marca com AI Overview 61,3% (jul), 65,1% (ago), 73,3% (set) 92,5 milhões de SERPs de marca
Média mensal de buscas sem marca com AI Overview 73,5% (jul), 74,7% (ago), 78,3% (set) 140,2 milhões de SERPs sem marca
Diferença entre sem marca e com marca 12,2 pontos (jul) para 5 pontos (set) Base ampla
Grandes marcas com AI Overview 5 de 98 (01/07) para 63 de 100 (30/09) Painel de 100 marcas
Fontes externas mais citadas Wikipedia 71,9% (41), YouTube 38,6% (22), LinkedIn 22,8% (13), Yahoo Finance 15,8% (9) 57 AI Overviews com lista de fontes
Respostas que citaram concorrentes 2 de 58 (3,4%) 58 AI Overviews com texto completo

Dois detalhes merecem atenção. Primeiro, a concorrência quase não aparece: só a resposta da Pepsi mencionou a Coca-Cola, e a da Intel mencionou TSMC e NVIDIA. Segundo, os vídeos. A Ahrefs mostra o caso da Bluehost, cujo AI Overview citava vários vídeos do YouTube, e reproduz a observação de Ann Smarty de que os vídeos citados vinham de contas que não eram da marca e poderiam trazer informações desatualizadas sobre produtos. A Ahrefs não fez uma contagem sistemática de quantos vídeos citados eram de canais oficiais, então trate esse ponto como alerta, não como estatística.

O que muda para SEO e GEO

A busca pelo nome da empresa sempre foi o resultado mais previsível do SEO: site oficial em primeiro, redes sociais e Perfil da Empresa logo abaixo. Com o AI Overview nessa página, o primeiro texto que o usuário lê sobre a sua marca pode ser um resumo montado a partir de Wikipedia, YouTube, LinkedIn e sites de terceiros.

Isso desloca a discussão de ranqueamento para reputação e gestão de narrativa: as fontes que alimentam o resumo precisam descrever a empresa de forma correta e atual. É o terreno do GEO (Generative Engine Optimization): influenciar como a IA fala de você, não só onde você aparece.

Três consequências práticas:

  • Conteúdo de terceiros pesa mais. Wikipedia, vídeos, perfis profissionais e páginas de avaliação viram matéria-prima da resposta. A própria Ahrefs observa que YouTube e LinkedIn tornam mais difícil para a marca controlar a narrativa do que páginas próprias.
  • Informação desatualizada vira risco visível. Um preço antigo em um vídeo de 2023 pode aparecer resumido como se fosse atual, logo na busca pelo seu nome.
  • Os sinais de confiança ganham peso. Autoria clara, fontes consistentes e reputação verificável (o que o Google descreve como E-E-A-T) ajudam o sistema a preferir informações oficiais e corretas.

Sobre tráfego, cautela. O estudo mede presença, não cliques. A referência de impacto que a Ahrefs aponta é outro estudo dela, de fevereiro de 2026, que associou a presença de AI Overview a uma CTR 58% menor para a página na primeira posição. Mas aquele levantamento não tratava de buscas de marca, em que o usuário muitas vezes já quer entrar no site. Se elas vão perder cliques para a busca zero clique, ainda não há dado público que responda.

O que fazer agora

Os números são dos EUA, mas os AI Overviews já existem em português. Vale se preparar antes que o padrão ganhe força no Brasil.

  1. Pesquise o nome da sua marca e registre
    Busque o nome exato da empresa, de produtos e de executivos, em celular e desktop. Salve capturas de tela datadas do AI Overview e das fontes citadas.
  2. Mapeie e corrija as fontes de terceiros
    Liste quais páginas externas aparecem como fonte. Se houver erro em verbete da Wikipedia, siga as regras da plataforma (sem autopromoção, com fontes independentes). Atualize LinkedIn, diretórios setoriais e portais de avaliação, e responda avaliações com informação objetiva.
  3. Ocupe o YouTube com conteúdo oficial
    Se os vídeos citados são de terceiros, a marca precisa ter os seus: apresentação da empresa, demonstração de produtos, preços e políticas atuais.
  4. Deixe as páginas oficiais claras e fáceis de citar
    Tenha uma página “Sobre” com fatos verificáveis (fundação, sede, o que a empresa faz, números públicos), além de páginas de produtos, preços e perguntas frequentes em texto. Use dados estruturados como Organization, sempre coerentes com o que está visível na página, como pede a documentação do Google.
  5. Mantenha o Perfil da Empresa e o Merchant Center em dia
    A documentação “AI features and your website” do Google recomenda manter essas informações atualizadas. Para negócios com endereço físico, isso conversa diretamente com o SEO local.
  6. Monitore cliques de marca no Search Console
    Use o filtro de consultas de marca do Google Search Console para acompanhar cliques, impressões e CTR. Uma queda não prova sozinha que o AI Overview é o culpado, então cruze com sazonalidade e demanda pela marca.

O que ainda é incerto: os dados da Ahrefs são de desktop nos EUA e não medem cliques nem a frequência com que o site oficial da marca é citado. Ahrefs, DemandSphere e Chris Long usam amostras diferentes e chegaram a números distintos. O Google não comentou oficialmente a mudança, não há confirmação de quando ou se o padrão chega ao Brasil na mesma intensidade, e o próprio estudo lembra que o Google pode alterar gatilhos e posição do recurso a qualquer momento.

Perguntas Frequentes

Os dados valem para o Brasil?

Não diretamente. Todos os números são de resultados de desktop nos Estados Unidos. Eles indicam uma direção do Google, mas a frequência no Brasil e no celular pode ser diferente. O caminho é monitorar a sua própria marca.

AI Overview em busca de marca derruba o tráfego do site oficial?

Ainda não se sabe. O estudo mede presença do recurso, não cliques. Pesquisas anteriores associaram AI Overviews a CTR menor em buscas informativas, mas não há dado público sobre buscas de marca. Acompanhe os cliques de marca no Search Console.

Dá para impedir que o Google mostre AI Overview para minha marca?

Não há opção para desligar o recurso em uma busca. Os controles do Google, como nosnippet e max-snippet, limitam o que é exibido do seu site, mas não impedem o resumo baseado em fontes de terceiros. Por isso a estratégia passa por cuidar dessas fontes.

Sobre o autor

Mauricio Shinmi

Mauricio Shinmi é CEO e cofundador da Oxigenweb, empresa de tecnologia e marketing fundada em 2009, e criador do SEONextbr, plataforma brasileira de SEO e GEO. Com mais de 20 anos de experiência em SEO, já atendeu marcas como JBS, Caloi, Itaipava, Cultura Inglesa e Lufthansa. Foi reconhecido pela Abradi como um dos 50 maiores especialistas em WordPress do Brasil, atua como investidor e mentor de startups e integra o Conselho Municipal de Inovação e Tecnologia de Presidente Prudente. No Guia SEO, escreve sobre SEO, GEO e como as empresas podem ser encontradas no Google e nas respostas das IAs.

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