Google testa pagar publishers por conteúdo usado em respostas de IA
Google testa pagar sites pelo uso de conteúdo no Modo IA, AI Overviews e Gemini via Search Console. Veja o que se sabe e o que muda para publishers no Brasil.
Resumo rápido
Em 2 de outubro de 2026, a Ahrefs publicou o estudo “AI Overviews Currently Appear for 83% of Branded Searches”, assinado por Ryan Law com colaboração de Xibeijia Guan. A conclusão principal: no recorte de 29 de setembro, 82,91% dos resultados de desktop nos Estados Unidos para palavras-chave de marca exibiam um AI Overview. É o resumo de IA exibido na página de resultados, agora também quando alguém digita o nome de uma empresa.
Até pouco tempo, buscas de marca eram um território relativamente protegido. No estudo de novembro de 2025 da própria Ahrefs (com amostra diferente), os AI Overviews eram muito mais comuns em buscas sem marca. Em setembro de 2026, a média ficou em 78,3% sem marca contra 73,3% com marca.
A mudança já tinha sido notada dias antes. Em 30 de setembro, Barry Schwartz, do Search Engine Roundtable, publicou que os AI Overviews tinham voltado para muitos nomes de grandes marcas, como Amazon, Apple, Samsung, Salesforce e Adobe. Segundo o texto, na maioria dos casos o resumo aparecia no meio da página, não no topo. O Google não comentou oficialmente.
Estudo da Ahrefs mostra AI Overviews muito mais frequentes em buscas sem marca do que em buscas de marca.
Chris Long (Nectiv) relata um primeiro movimento de AI Overviews em buscas de marca. No painel da Ahrefs, só 5 de 98 grandes marcas exibiam o recurso em 1º de julho.
Segundo a DemandSphere, citada pelo Search Engine Journal, a presença em palavras-chave de marca passa de 26,12% em 1º de setembro para 90,48% em 27 de setembro.
Search Engine Roundtable noticia que os AI Overviews voltaram para muitas grandes marcas. Chris Long diz ter visto o recurso em 93 de cerca de 100 marcas testadas.
Ahrefs publica o estudo com 232,8 milhões de SERPs e o dado de 82,91% em 29 de setembro.
A Ahrefs usou duas amostras: 232,8 milhões de SERPs de desktop nos EUA entre julho e setembro de 2026 (92,5 milhões de marca e 140,2 milhões sem marca) e um painel de 100 marcas da lista Best Global Brands 2025 da Interbrand, consultadas pelo nome exato em 14 checagens semanais.
| Indicador | Resultado | Amostra |
|---|---|---|
| Buscas de marca com AI Overview em 29/09 | 82,91% | Desktop, EUA |
| Média mensal de buscas de marca com AI Overview | 61,3% (jul), 65,1% (ago), 73,3% (set) | 92,5 milhões de SERPs de marca |
| Média mensal de buscas sem marca com AI Overview | 73,5% (jul), 74,7% (ago), 78,3% (set) | 140,2 milhões de SERPs sem marca |
| Diferença entre sem marca e com marca | 12,2 pontos (jul) para 5 pontos (set) | Base ampla |
| Grandes marcas com AI Overview | 5 de 98 (01/07) para 63 de 100 (30/09) | Painel de 100 marcas |
| Fontes externas mais citadas | Wikipedia 71,9% (41), YouTube 38,6% (22), LinkedIn 22,8% (13), Yahoo Finance 15,8% (9) | 57 AI Overviews com lista de fontes |
| Respostas que citaram concorrentes | 2 de 58 (3,4%) | 58 AI Overviews com texto completo |
Dois detalhes merecem atenção. Primeiro, a concorrência quase não aparece: só a resposta da Pepsi mencionou a Coca-Cola, e a da Intel mencionou TSMC e NVIDIA. Segundo, os vídeos. A Ahrefs mostra o caso da Bluehost, cujo AI Overview citava vários vídeos do YouTube, e reproduz a observação de Ann Smarty de que os vídeos citados vinham de contas que não eram da marca e poderiam trazer informações desatualizadas sobre produtos. A Ahrefs não fez uma contagem sistemática de quantos vídeos citados eram de canais oficiais, então trate esse ponto como alerta, não como estatística.
A busca pelo nome da empresa sempre foi o resultado mais previsível do SEO: site oficial em primeiro, redes sociais e Perfil da Empresa logo abaixo. Com o AI Overview nessa página, o primeiro texto que o usuário lê sobre a sua marca pode ser um resumo montado a partir de Wikipedia, YouTube, LinkedIn e sites de terceiros.
Isso desloca a discussão de ranqueamento para reputação e gestão de narrativa: as fontes que alimentam o resumo precisam descrever a empresa de forma correta e atual. É o terreno do GEO (Generative Engine Optimization): influenciar como a IA fala de você, não só onde você aparece.
Três consequências práticas:
Sobre tráfego, cautela. O estudo mede presença, não cliques. A referência de impacto que a Ahrefs aponta é outro estudo dela, de fevereiro de 2026, que associou a presença de AI Overview a uma CTR 58% menor para a página na primeira posição. Mas aquele levantamento não tratava de buscas de marca, em que o usuário muitas vezes já quer entrar no site. Se elas vão perder cliques para a busca zero clique, ainda não há dado público que responda.
Os números são dos EUA, mas os AI Overviews já existem em português. Vale se preparar antes que o padrão ganhe força no Brasil.
O que ainda é incerto: os dados da Ahrefs são de desktop nos EUA e não medem cliques nem a frequência com que o site oficial da marca é citado. Ahrefs, DemandSphere e Chris Long usam amostras diferentes e chegaram a números distintos. O Google não comentou oficialmente a mudança, não há confirmação de quando ou se o padrão chega ao Brasil na mesma intensidade, e o próprio estudo lembra que o Google pode alterar gatilhos e posição do recurso a qualquer momento.
Não diretamente. Todos os números são de resultados de desktop nos Estados Unidos. Eles indicam uma direção do Google, mas a frequência no Brasil e no celular pode ser diferente. O caminho é monitorar a sua própria marca.
Ainda não se sabe. O estudo mede presença do recurso, não cliques. Pesquisas anteriores associaram AI Overviews a CTR menor em buscas informativas, mas não há dado público sobre buscas de marca. Acompanhe os cliques de marca no Search Console.
Não há opção para desligar o recurso em uma busca. Os controles do Google, como nosnippet e max-snippet, limitam o que é exibido do seu site, mas não impedem o resumo baseado em fontes de terceiros. Por isso a estratégia passa por cuidar dessas fontes.
Fontes e referências
Mauricio Shinmi é CEO e cofundador da Oxigenweb, empresa de tecnologia e marketing fundada em 2009, e criador do SEONextbr, plataforma brasileira de SEO e GEO. Com mais de 20 anos de experiência em SEO, já atendeu marcas como JBS, Caloi, Itaipava, Cultura Inglesa e Lufthansa. Foi reconhecido pela Abradi como um dos 50 maiores especialistas em WordPress do Brasil, atua como investidor e mentor de startups e integra o Conselho Municipal de Inovação e Tecnologia de Presidente Prudente. No Guia SEO, escreve sobre SEO, GEO e como as empresas podem ser encontradas no Google e nas respostas das IAs.
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