Dados estruturados (Schema Markup): o que são e como usar no SEO

Ricardo Nakamura

Escrito por

Tempo de leitura 8 min de leitura

Resumo rápido

  • Dados estruturados são informações organizadas em um formato padrão, quase sempre com o vocabulário do Schema.org, que explicam aos buscadores do que trata uma página: um produto, uma receita, uma empresa local, um artigo.
  • O Google aceita três formatos (JSON-LD, Microdata e RDFa) e recomenda o JSON-LD.
  • Eles tornam a página elegível a resultados avançados (rich results), como estrelas de avaliação, preço e disponibilidade, mas não garantem a exibição nem melhoram o ranqueamento diretamente.
  • Vários tipos foram aposentados entre 2023 e 2026, incluindo o resultado de FAQ, que deixou de aparecer no Google em maio de 2026.
  • Para AI Overviews e Modo IA, o Google afirma que não existe marcação especial; o que importa é que os dados batam com o conteúdo visível.

O que são dados estruturados

Dados estruturados são um formato padronizado para descrever o conteúdo de uma página e classificar suas informações, de modo que mecanismos de busca entendam com precisão o que está ali. Em vez de deduzir pelo texto que “R$ 199” é um preço e “4,7” é uma nota média, o buscador recebe essas informações rotuladas: isto é um produto, este é o preço, esta é a moeda, esta é a avaliação.

Pense em uma ficha cadastral anexada à página. O visitante continua vendo o conteúdo normal; a ficha fica no código e serve para máquinas. Por isso o termo aparece muito junto com “Schema Markup” ou “marcação Schema”, em referência ao vocabulário mais usado para preencher essa ficha.

Na prática, os dados estruturados servem para três coisas:

  • Tornar a página elegível a resultados avançados na página de resultados do Google, como estrelas, preço, carrossel de receitas ou informações de evento.
  • Reduzir ambiguidade sobre entidades: qual é o nome oficial da empresa, o logotipo, o endereço, o autor de um artigo.
  • Alimentar outros recursos e sistemas, como painéis de conhecimento, Google Shopping e ferramentas de terceiros que leem a marcação.

Schema.org e os formatos JSON-LD, Microdata e RDFa

É comum confundir duas coisas diferentes: o vocabulário (quais “campos” existem) e o formato (como esses campos são escritos no código).

O vocabulário: Schema.org

O Schema.org é um projeto colaborativo mantido pelas empresas fundadoras (Google, Microsoft, Yahoo e Yandex) com participação da comunidade, por meio de um grupo no W3C. Ele define tipos, como Product, Recipe, LocalBusiness, Article e Organization, e as propriedades de cada um. O vocabulário continua evoluindo: a versão 30.1 foi publicada em setembro de 2026.

Um detalhe importante: o Schema.org tem centenas de tipos, mas o Google só gera resultados avançados para uma parte deles. Quem manda no comportamento da busca é a documentação do Google, não o Schema.org.

Os formatos aceitos pelo Google

Formato Como funciona Vantagens Quando usar
JSON-LD (recomendado) Bloco <script type="application/ld+json"> separado do HTML visível Fácil de manter, não mistura com o layout, aceita dados aninhados e pode ser inserido por JavaScript ou pelo CMS Na maioria dos sites, incluindo WordPress com plugins de SEO
Microdata Atributos (itemscope, itemprop) dentro das tags HTML do conteúdo A marcação fica colada ao conteúdo visível Sistemas antigos que já usam esse padrão
RDFa Atributos (vocab, property) no HTML Padrão do W3C, comum em alguns CMS Casos específicos, como sites que já usam RDFa

O Google considera os três formatos igualmente válidos, desde que a marcação esteja correta. A recomendação pelo JSON-LD é por praticidade: ele é mais fácil de implementar e de manter em escala.

Exemplo prático em JSON-LD

Veja um exemplo simplificado de marcação de produto. O bloco vai no <head> ou no <body> da página do produto:

<script type=”application/ld+json”>
{
  “@context”: “https://schema.org”,
  “@type”: “Product”,
  “name”: “Tênis de corrida Leve 2”,
  “image”: “https://www.exemplo.com.br/img/tenis-leve-2.jpg”,
  “description”: “Tênis de corrida com amortecimento para treinos diários.”,
  “brand”: { “@type”: “Brand”, “name”: “Exemplo” },
  “offers”: {
    “@type”: “Offer”,
    “price”: “399.90”,
    “priceCurrency”: “BRL”,
    “availability”: “https://schema.org/InStock”
  }
}
</script>

Repare em três pontos: o @context indica o vocabulário, o @type diz o que é a coisa descrita, e as propriedades aninhadas (como offers) organizam informações relacionadas. Para ser elegível a um resultado avançado, a página precisa ter todas as propriedades obrigatórias do recurso; as recomendadas melhoram a qualidade do resultado.

Dica: quando uma página tem vários itens (por exemplo, uma receita, um vídeo e a navegação em breadcrumb), você pode aninhá-los ou declará-los em blocos separados. Se dois itens se referem um ao outro, use a propriedade @id para ligá-los.

Rich results: o que os dados estruturados mudam na SERP

Resultados avançados (rich results) são resultados com elementos extras além do título, da URL e da meta description. Estes são alguns dos recursos que o Google segue documentando em 2026:

Tipo Schema O que pode aparecer Para quem
Product e Offer Preço, disponibilidade, avaliações, frete e política de devolução Lojas virtuais
LocalBusiness Horários, contato e detalhes da empresa no painel de conhecimento Negócios com atendimento local
Organization Logotipo, nome oficial e dados da empresa em painéis de conhecimento Qualquer empresa
Article Título e imagem em destaque em recursos de notícias Portais, blogs e veículos
BreadcrumbList Trilha de navegação no lugar da URL Sites com hierarquia de categorias
Recipe Foto, tempo de preparo, nota e carrossel de receitas Sites de culinária
Event Data, local e lista de eventos Organizadores e venda de ingressos
VideoObject Miniatura, duração e momentos-chave do vídeo Sites com vídeos próprios
JobPosting Vaga na experiência de busca de empregos Empresas e portais de vagas

O resultado avançado se destaca visualmente e pode aumentar a taxa de cliques. A própria documentação do Google cita casos: a Rotten Tomatoes mediu CTR 25% maior em páginas com dados estruturados, e a Nestlé registrou CTR 82% maior em páginas exibidas como resultado avançado. São casos divulgados pelo Google, não uma média de mercado, mas mostram o potencial em taxa de cliques.

Tipos que o Google deixou de exibir

Nos últimos anos, o Google vem “limpando” a página de resultados e removendo resultados avançados pouco usados. Antes de investir em uma marcação, confira se o recurso ainda existe:

2023

Em agosto, o Google restringe o resultado de FAQ a sites governamentais e de saúde reconhecidos e limita o HowTo ao desktop. Em setembro, o HowTo é descontinuado de vez.

2025

Em junho, anuncia o fim de sete tipos: Book Actions, Course Info, Claim Review, Estimated Salary, Learning Video, Special Announcement e Vehicle Listing (depois, o Book Actions foi mantido por ainda alimentar um recurso). Em novembro, inclui Practice Problem e esclarece que Dataset vale só para o Dataset Search.

2026

O resultado de FAQ deixa de aparecer na busca a partir de 7 de maio, e a documentação do recurso é removida em junho.

Preciso remover a marcação antiga? Não é obrigatório. O Google afirma que dados estruturados não usados não causam problemas para a busca, apenas deixam de ter efeito visível. Além disso, as remoções não afetam o ranqueamento, e outros sistemas fora do Google podem continuar lendo essas marcações.

Dados estruturados ajudam no ranqueamento?

Não de forma direta. O Google não trata a presença de Schema como sinal de ranqueamento, e as próprias comunicações sobre a retirada de tipos repetem que a mudança não afeta como as páginas são ranqueadas. Até a ação manual por problemas de dados estruturados tem efeito limitado: a página perde a elegibilidade ao resultado avançado, mas o ranqueamento na busca web não é afetado por essa ação.

O ganho indireto, porém, é real: um resultado mais completo tende a atrair mais cliques, e uma descrição clara de entidades (empresa, autor, produto) ajuda o buscador a entender o contexto da página. Isso conversa com os sinais de confiança descritos em E-E-A-T, mas Schema não substitui reputação real.

Como implementar passo a passo

  1. Mapeie os tipos de página do site
    Liste os modelos (home, produto, categoria, artigo, página de contato) e escolha, na galeria de dados estruturados do Google, o tipo mais específico para cada um.
  2. Gere a marcação no formato JSON-LD
    Em WordPress, plugins de SEO como Yoast e Rank Math já geram marcações básicas (Organization, Article, BreadcrumbList). Para tipos específicos, crie a marcação no template, alimentada pelos campos do CMS, nunca à mão página por página.
  3. Preencha todas as propriedades obrigatórias
    Itens sem propriedades obrigatórias não são elegíveis. Adicione as recomendadas que você consegue manter corretas.
  4. Teste antes de publicar
    Use o Teste de resultados avançados do Google para ver se a página é elegível e o Schema Markup Validator para validar a sintaxe geral do Schema.org.
  5. Publique em poucas páginas e inspecione
    Use a Inspeção de URL do Search Console para ver como o Google lê a página. Confira se ela não está bloqueada por noindex, robots.txt ou login.
  6. Monitore os relatórios de aprimoramentos
    Depois de liberar para o site inteiro, acompanhe os relatórios de resultados avançados no Search Console e corrija erros e avisos.

Erros e práticas que geram penalidade

As diretrizes gerais do Google para dados estruturados são claras: a marcação precisa ser uma representação fiel do conteúdo da página. Os problemas mais comuns são:

  • Marcar conteúdo invisível: se o JSON-LD diz que há avaliações, o visitante precisa conseguir ver essas avaliações na página.
  • Avaliações falsas ou “autoatribuídas”: estrelas criadas pela própria empresa sobre si mesma, sem avaliações reais de usuários, podem gerar ação manual. Para LocalBusiness e Organization, avaliações só valem em sites que coletam opiniões sobre outras empresas.
  • Usar o tipo errado: marcar um tutorial de marcenaria como receita ou uma transmissão esportiva como evento local.
  • Informação desatualizada: preço diferente do exibido na página, evento que já passou, produto esgotado marcado como disponível.
  • Imagens não rastreáveis: as URLs de imagem na marcação precisam poder ser rastreadas e indexadas.
  • Marcação duplicada e conflitante: tema, plugin e código manual gerando dois blocos Product diferentes para a mesma página.

Atenção: passar no Teste de resultados avançados não garante exibição. O Google decide, a cada busca, se o resultado avançado é a melhor apresentação, considerando dispositivo, localização e histórico do usuário.

Dados estruturados e busca com IA

Com o crescimento dos AI Overviews e do Modo IA, surgiu a promessa de que existiria um “Schema para IA”. O Google desmente isso na documentação: não há marcação especial do Schema.org nem arquivos novos para aparecer nesses recursos, e dados estruturados não são exigidos para a busca generativa. O guia de otimização para IA do Google cita o “foco excessivo em dados estruturados” entre as coisas que você pode ignorar, mas recomenda continuar usando a marcação dentro da estratégia geral de SEO, porque ela mantém a página elegível a resultados avançados.

A recomendação que aparece para os recursos de IA é outra: garantir que os dados estruturados correspondam ao texto visível. Se o JSON-LD diz uma coisa e a página mostra outra, você cria ruído justamente onde quer clareza. Também vale manter atualizados o Perfil da Empresa e o Merchant Center, que alimentam respostas sobre negócios locais e produtos. Veja como isso funciona em SEO local e em SEO para AI Overviews e Modo IA.

Fora do Google, cada plataforma tem seus próprios sistemas, e não há documentação pública mostrando um peso específico do Schema nas respostas de ChatGPT ou Perplexity. A abordagem mais segura é tratar os dados estruturados como parte de uma base técnica bem feita, junto com conteúdo claro e citável, que é o centro de qualquer estratégia de GEO.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre dados estruturados e Schema Markup?

Dados estruturados é o conceito geral: informações organizadas em formato padrão. Schema Markup é a marcação que usa o vocabulário do Schema.org, que é o vocabulário mais usado para dados estruturados na web e o principal aceito pelo Google.

Dados estruturados melhoram a posição no Google?

Não diretamente. Eles tornam a página elegível a resultados avançados, que podem aumentar a taxa de cliques. O Google afirma que a retirada de tipos de dados estruturados não afeta o ranqueamento das páginas.

Ainda vale usar a marcação FAQPage?

Para o Google, o resultado avançado de FAQ deixou de aparecer em maio de 2026. Manter a marcação não prejudica, mas ela não gera mais destaque na busca. Se o seu objetivo é aparecer em respostas diretas, foque em conteúdo de perguntas e respostas bem escrito e visível na página.

Como testar se meus dados estruturados estão corretos?

Use o Teste de resultados avançados do Google para verificar a elegibilidade aos recursos da busca e o Schema Markup Validator para validar a sintaxe do Schema.org. Depois de publicar, acompanhe os relatórios de aprimoramentos no Search Console.

Preciso de dados estruturados para aparecer nos AI Overviews?

Não. O Google afirma que não existe marcação especial para os recursos de IA. A página precisa estar indexada e apta a aparecer com snippet. Os dados estruturados continuam úteis, desde que reflitam o conteúdo visível.

Fontes e referências

  1. Google Search Central. Introduction to structured data markup in Google Search.
  2. Google Search Central. General structured data guidelines.
  3. Google Search Central. Structured data markup that Google Search supports.
  4. Google Search Central Blog (2023). Changes to HowTo and FAQ rich results.
  5. Google Search Central Blog (2025). Simplifying the search results page.
  6. Google Search Central. Latest documentation updates (registro da descontinuação do resultado de FAQ em 2026).
  7. Google Search Central. Optimizing your website for generative AI features on Google Search.
  8. Schema.org. About Schema.org.

Sobre o autor

Ricardo Nakamura

Ricardo Nakamura lidera o SEO Next+ da Oxigenweb, departamento dedicado a SEO e GEO (Generative Engine Optimization). Há mais de 5 anos conduz projetos digitais de ponta a ponta para marcas como JBS, Grupo Petrópolis, Caloi e Lufthansa City Center. Escreve sobre processos escaláveis de SEO, busca orientada por IA e como transformar otimização em resultado de negócio.

Ver perfil e todos os artigos de Ricardo →

Deixe seu comentário

um × quatro =